As últimas mulheres e crianças australianas retidas no campo de detenção de al-Roj supostamente deixaram o nordeste da Síria em direção a Damasco, antes de um esperado retorno à Austrália. Imagens obtidas por uma equipe de reportagem da ABC mostraram uma minivan saindo do campo, que, segundo a reportagem, transportava todas as sete mulheres e 14 crianças restantes, embora isso não tenha sido confirmado oficialmente. O grupo, viajando em comboio com escolta do governo sírio, deve reservar voos de volta para a Austrália nos próximos dias.
Todos são cidadãos australianos com documentos de viagem, embora uma mulher esteja sujeita a uma ordem de exclusão temporária que impede seu reingresso na Austrália. O governo australiano não confirmou a partida esperada do grupo, e entende-se que nenhuma passagem aérea foi reservada ainda. O retorno pode levar vários dias. A ministra Tanya Plibersek disse que o segundo grupo enfrentará repercussões ao retornar, declarando à ABC: "Eles enfrentarão as mesmas consequências que o primeiro grupo."
As australianas são esposas, viúvas e filhos de combatentes do Estado Islâmico presos ou mortos, a maioria detida no campo por mais de seis anos. Algumas mulheres podem enfrentar acusações relacionadas ao terrorismo ao desembarcar na Austrália, embora muitas afirmem ter sido coagidas, enganadas ou traficadas para o território do EI. Algumas crianças nasceram no campo e nunca o deixaram.
Este é o quinto grupo de australianos a deixar campos de detenção sírios desde 2019. Os governos Morrison e Albanese realizaram cada um uma repatriação controlada pelo governo em 2019 e 2022. No final do ano passado, um grupo escapou do campo vizinho de al-Hawl, conseguindo voltar para casa. No mês passado, quatro mulheres e nove crianças retornaram de Damasco, com três presas e acusadas ao chegar em Melbourne e Sydney.
O campo sórdido e perigoso de al-Roj, controlado pelas Forças Democráticas Sírias lideradas pelos curdos e descrito pelos EUA como um "incubadora para radicalização", está sendo progressivamente fechado antes de uma transferência para o governo sírio. O governo Albanese mantém que não está fazendo nada para ajudar o retorno dos australianos, alertando que qualquer infrator será processado "com todo o rigor da lei". O ministro da Saúde, Mark Butler, observou que os retornados têm o direito legal como cidadãos de voltar, "mas se cometeram algum crime, serão recebidos na fronteira... com a polícia e potencialmente acusados de crimes muito graves." O governo dos EUA, que financia o campo, aumentou a pressão sobre a Austrália para repatriar seus cidadãos.