Steven Crichton, um terapeuta de Pontypridd, Rhondda Cynon Taf, sabe bem o que é ironia. Depois de se formar na Universidade de South Wales, ele se viu precisando de um banco de alimentos para alimentar sua família - uma reviravolta que seu diploma provavelmente não cobriu.

Crichton e sua parceira Kat estavam pulando refeições para garantir que seus filhos tivessem lancheiras cheias, mas quando ele finalmente visitou o banco de alimentos Taff Ely, achou a experiência “muito mais digna” do que esperava. Isso mesmo: um banco de alimentos foi mais digno do que sua estratégia anterior de simplesmente não comer.

Sua jornada até esse ponto foi um verdadeiro drama. Ele perdeu o pai por suicídio aos seis anos, enfrentou seus próprios problemas de saúde mental e um vício em heroína, e eventualmente mudou de vida através da terapia. Isso o inspirou a ir para a universidade aos trinta anos para se tornar terapeuta, o que o deixou quebrado após a formatura. Agora ele administra seu próprio negócio e é voluntário para ajudar bancos de alimentos a serem menos estigmatizantes.

Suas sugestões levaram o Taff Ely a parar de usar canetas marcadoras em sacolas (para que não possam ser identificadas como sacolas de banco de alimentos) e permitir que os visitantes escolham sua própria comida. “Isso dá às pessoas um pouco mais de independência e autonomia”, disse ele. Além disso, permite que troquem um item por outro, o que também reduz o desperdício de alimentos.

Matthew Stevens, coordenador de parcerias do Taff Ely Food Bank, disse que reduzir o estigma é uma prioridade. “Qualquer pessoa pode precisar usar um banco de alimentos e enfrentar essa vergonha garante que as pessoas que precisam de apoio o recebam.” Ter a experiência em primeira mão de Crichton ajuda os voluntários a entender como é atravessar aquelas portas.

Crichton agora tem sua vida estabilizada, mas ainda faz questão de retribuir. Porque nada diz “eu consegui” como ajudar os outros a evitar a vergonha da caneta marcadora.