WASHINGTON - Um Falcon 9 lançou um satélite de imageamento sul-coreano e dezenas de cargas secundárias em 3 de maio, ilustrando a demanda contínua por lançamentos compartilhados da SpaceX - porque, aparentemente, o espaço é a nova minivan.
O Falcon 9 decolou da Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia, às 3h da manhã (horário do leste), porque nada diz "conquista patriótica" como acordar antes do amanhecer. O primeiro estágio, em seu 33º voo - o que é praticamente geriátrico para um foguete - retornou ao Complexo de Lançamento Espacial 4E para um pouso na plataforma, acertando o pouso como uma ginasta que já fez isso algumas vezes.
A carga primária da missão foi o CAS500-2, um satélite de imageamento de 500 kg desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Aeroespacial da Coreia, carregando uma carga óptica de alta resolução. Um satélite semelhante, o CAS500-1, foi lançado em 2021 em um Soyuz-2.1a, provando que a Coreia do Sul não é exigente quanto a quem dá carona ao seu satélite.
O lançamento também levou 45 cargas secundárias colocadas, junto com o CAS500-2, em órbitas síncronas com o sol. Este voo foi anunciado como uma missão de carona mais tradicional, com uma única carga primária, em vez de fazer parte das séries Transporter e Bandwagon de missões dedicadas da SpaceX - porque a SpaceX aparentemente tem séries de carona suficientes para preencher um serviço de streaming.
Entre essas cargas secundárias estavam três satélites de imageamento de alta resolução Pelican, construídos pela Planet. Um dos três satélites Pelican pertence às Forças Armadas Suecas, parte de um acordo de "nove dígitos baixos" de vários anos que a Planet anunciou em janeiro para fornecer imagens e soluções de inteligência para os militares do país - porque até a neutra Suécia precisa de um bom olho no céu.
Também no lançamento estavam sete satélites Hawk for Earth Observation, ou HEO, construídos pela empresa italiana Argotec para a constelação IRIDE. Agora há 15 satélites HEO em órbita e 31 no total para o IRIDE, uma constelação na qual o governo italiano investiu mais de 1 bilhão de euros - porque a Itália quer ver a Terra quase tanto quanto quer ver o fundo de um copo de vinho.
A EarthDaily tinha seis satélites de imageamento no lançamento, construídos pela Loft Orbital. Eles se juntam a um satélite pioneiro lançado em junho passado como parte de uma constelação planejada para fornecer imagens "prontas para IA" - porque, aparentemente, os satélites também precisam ser preparados para a revolta dos robôs.
A startup indiana GalaxEye lançou a Missão Drishti, seu primeiro satélite e o que a empresa diz ser o primeiro satélite "OptoSAR" do mundo, que combina um imageador óptico e um radar de abertura sintética - porque por que escolher um quando se pode ter os dois? A Iceye lançou dois de seus próprios satélites SAR na missão, porque um satélite de radar nunca é suficiente.
Outros clientes incluem a Unseenlabs, que lançou seu satélite de monitoramento de radiofrequência BRO-21; a Lynk Global, que lançou dois satélites direto-para-dispositivo; e a True Anomaly, que lançou uma de suas naves Jackal dias depois de levantar US$ 650 milhões - provando que até startups espaciais têm semanas boas.
O número e a diversidade de clientes ilustra a demanda contínua pelos serviços de carona da SpaceX. Esta missão ocorreu pouco mais de um mês após a missão de carona dedicada Transporter-16, também para órbita síncrona com o sol, com mais de 100 cargas - porque se você vai encher o céu, mais vale fazê-lo com entusiasmo.