Numa medida que os cardiologistas chamam de 'revolução' e todos os outros chamam de 'finalmente, já não era sem tempo', os quatro principais grupos mundiais de saúde cardiovascular concordaram com a primeira definição universal de ataque cardíaco. A nova diretriz, apresentada no congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) em Munique, visa corrigir um problema de décadas: as mulheres têm recebido piores cuidados para ataques cardíacos porque o establishment médico meio que esqueceu que elas também têm coração.

Historicamente, ataques cardíacos mais comuns em mulheres - como os causados por parto, exercício ou estresse emocional - eram classificados como menos importantes. Isso significava que as mulheres recebiam tratamentos que não atacavam a causa real do seu ataque cardíaco e às vezes as deixavam mais doentes. Ops.

As novas diretrizes elevam três tipos de ataque cardíaco que são até 10 vezes mais comuns em mulheres: espasmo da artéria coronária (estreitamento das artérias, muitas vezes desencadeado por estresse, exercício ou frio extremo), embolia coronária (um coágulo ou depósito de gordura bloqueando uma artéria coronária) e dissecção espontânea da artéria coronária (SCAD, uma ruptura na artéria que ocorre em mulheres em pelo menos 80% dos casos, frequentemente durante ou após a gravidez).

Anteriormente, os ataques cardíacos mais graves - agora chamados de 'primários' - eram aqueles causados por um coágulo bloqueando o fluxo sanguíneo. A nova classificação reconhece que a redução do fluxo sanguíneo por outras causas é igualmente mortal e merece a mesma urgência.

As diretrizes também reduzem o limiar de troponina para diagnosticar ataques cardíacos em mulheres. A troponina é uma proteína liberada quando o coração é danificado e, até agora, as mulheres tinham que igualar os níveis dos homens para obter um diagnóstico. Isso é como exigir que uma pessoa de 1,57m salte tão alto quanto uma de 1,93m para provar que pode jogar basquete.

O Prof Bryan Williams, diretor científico e médico chefe da British Heart Foundation, chamou isso de 'um momento marcante, uma mudança radical' que pode ser 'mudança de vida para um grande número de mulheres no Reino Unido e no mundo'. O Prof Nicholas Mills, cardiologista da Universidade de Edimburgo que liderou a força-tarefa internacional, admitiu que houve 'viés sistemático não intencional contra as mulheres' e disse que a nova abordagem é 'uma revolução. Vai melhorar o atendimento para os pacientes.'

As diretrizes, publicadas no European Heart Journal, foram aprovadas pela ESC, pelo American College of Cardiology, pela American Heart Association e pela World Heart Federation. Agora vem a parte difícil: garantir que todos os departamentos de emergência realmente as usem.