As Ilhas Galápagos há muito são o garoto-propaganda da biologia evolutiva, desde que Charles Darwin passou por lá em 1835 a bordo do HMS Beagle e coletou um monte de pássaros que ele inicialmente confundiu com pardais, pica-paus, tentilhões e um único chapim. Acontece que eram todos tentilhões, apenas com bicos moldados pela evolução para lidar com diferentes cardápios. Esse pequeno engano tornou-se evidência fundamental para a seleção natural, e as ilhas têm se exibido desde então.

Agora, mais de 150 anos depois, uma equipe internacional de pesquisadores – incluindo gente da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (NTNU), do Royal Botanic Gardens, Kew, da Universidade da Califórnia, Davis, e da Fundação Charles Darwin, entre outros – descobriu que as margaridas gigantes das Galápagos (gênero Scalesia) estão fazendo o mesmo truque de festa que os tentilhões: evoluindo rápida e repetidamente, mas com um toque que faria Darwin levantar uma sobrancelha.

As plantas Scalesia, que chegaram do continente sul-americano, diversificaram-se em espécies que vão de arbustos baixos a árvores imponentes, com folhas que vão de grandes e lisas a pequenas e profundamente lobadas. Acredita-se que as folhas lobadas ajudem as plantas a lidar com condições quentes e secas, reduzindo a perda de água e dissipando o calor. Mas a maquinaria genética por trás dessa adaptação tem sido um mistério – até agora.

Ao sequenciar os genomas completos de todas as espécies conhecidas de Scalesia, os pesquisadores descobriram que folhas profundamente lobadas evoluíram independentemente várias vezes em diferentes ramos da árvore genealógica. E aqui está o detalhe: cada vez, isso aconteceu através de genes diferentes, mesmo que todos esses genes pertençam à mesma rede de desenvolvimento foliar. Isso é evolução paralela em ação – a natureza encontrando a mesma solução várias vezes, mas tomando rotas genéticas diferentes para chegar lá.

"Em vez de ser controlada por um único 'gene mestre', a evolução parece recorrer a uma rede inteira de genes interativos, ajustando diferentes componentes para produzir resultados semelhantes", disse Vanessa Bieker, primeira autora e pesquisadora em Kew.

As descobertas, publicadas na Nature Communications, também sugerem que a evolução de Scalesia está longe de terminar. Muitas populações mostram grandes diferenças genéticas e estão isoladas há eras, o que significa que novas espécies podem estar em formação. Os pesquisadores argumentam que essas linhagens distintas devem ser tratadas como unidades de conservação separadas – porque se você vai proteger os maiores sucessos da evolução, precisa proteger também todos os remixes.

Este estudo também oferece um raro e detalhado olhar sobre a radiação adaptativa, onde uma espécie ancestral rapidamente gera um monte de formas especializadas. E tudo começou com as coleções de plantas de Darwin – 78 das quais acabaram sendo novas espécies, incluindo quatro Scalesia. Então, da próxima vez que você estiver nas Galápagos, lembre-se: as plantas são tão boas em evolução quanto os pássaros, e têm os recibos genéticos para provar.