Você provavelmente já usou o VLC Media Player, o player de vídeo gratuito com o ícone de cone de trânsito laranja — foi baixado mais de 6 bilhões de vezes. Mas, segundo seu desenvolvedor principal, Jean-Baptiste Kempf, os robôs em breve serão quase tão onipresentes quanto seu software de vídeo de código aberto.

Convencido de que “centenas de milhões de robôs e drones” estarão vagando pelas ruas em alguns anos, esse empreendedor serial francês e lenda do código aberto vem construindo o Kyber, uma camada de infraestrutura para controlar dispositivos remotos em tempo real. Seu software principal é um SDK que sincroniza vídeo, áudio, dados de sensores e entradas de controle com latência mínima.

Isso se alinha bem com a ascensão da IA física, e é parte do motivo pelo qual a startup sediada em Paris conseguiu levantar uma rodada de US$ 5 milhões liderada pela Lightspeed, que também apoiou a Anthropic e a Mistral AI. “A IA física é tão boa quanto os sistemas subjacentes que a executam”, escreveu a firma de VC americana em um post no LinkedIn anunciando seu investimento.

As aplicações potenciais do Kyber vão muito além da IA, no entanto. Kempf disse ao TechCrunch que a plataforma é construída para “todos os casos de uso em que a pessoa que opera não está no mesmo lugar que a computação, que não está no mesmo lugar que a ação”.

O controle remoto é metade da equação; a velocidade é a outra — e foi o que inspirou o nome da startup, uma referência aos cristais de sabre de luz em Star Wars. “Se você controla coisas no mundo real, cada milissegundo importa”, disse Kempf.

A abordagem do Kyber para eliminar a latência está firmemente enraizada na tecnologia de streaming de vídeo. A empresa começou como um projeto paralelo que Kempf construiu enquanto era CTO na startup de cloud gaming Shadow, e seu foco inicial em streaming torna fácil traçar a conexão com o VLC. Mas a experiência em IoT é igualmente importante para a otimização — ajustar o desempenho à computação disponível de um dispositivo, em escala — a outra peça central do que o Kyber faz.

Kempf diz que outras empresas com recursos e necessidade já construíram software semelhante para seus próprios casos de uso, como direção remota. “Mas as maiores frotas hoje têm talvez 2.000 ou 3.000 veículos. Imagine que você precisa gerenciar milhões deles; não é a mesma coisa.”

Esse salto em escala também aumenta as apostas em observabilidade — saber que os sistemas estão realmente funcionando será ainda mais importante quando agentes de IA, não pessoas, estiverem gerenciando frotas e redes inteiras. Mesmo em escala muito menor, no entanto, há um benefício real: não precisar alcançar fisicamente cada dispositivo apenas para enviar uma atualização de software, por exemplo.

Essa amplitude — de alguns dispositivos a milhões — significa que a base de usuários do Kyber provavelmente abrangerá muito mais empresas do que as que se tornarão clientes pagantes. Fiel às raízes de Kempf, o projeto principal é de código aberto, enquanto a empresa vende uma versão comercial para clientes empresariais. E não é apenas software: como a Palantir e outros, o Kyber também oferece implantação personalizada e prática por meio de engenheiros de campo, ou FDEs.

Os FDEs compõem grande parte da equipe do Kyber, que atualmente conta com 25 funcionários em tempo integral. A startup tem sede em Paris, mas possui escritórios em São Francisco e Cingapura para apoiar o que espera ser uma base global de clientes em diversos setores. A empresa afirma que já está em implantação comercial com clientes nos setores de defesa, telecomunicações, robótica e IA.

Para focar seus esforços, o Kyber vem priorizando três segmentos: robótica, drones de todos os tipos e acesso remoto de TI, onde a demanda tem sido particularmente forte. Nesse último segmento, Kempf diz que o Kyber aspira a ser mais do que apenas um desafiante da Citrix — mas mesmo essa comparação já aponta para um mercado endereçável total considerável.

Acesso remoto de TI não é exatamente glamoroso, mas Kempf parece energizado pelo problema — e a página de carreiras do Kyber sugere o porquê: “As empresas que tentaram resolvê-lo gastaram anos e dezenas de milhões construindo soluções personalizadas que nunca compartilharão. Estamos construindo a versão que todos os outros podem usar.”