Críticos afirmam que a administração Trump agiu sob o "manto da escuridão" para substituir uma exposição que explorava a vida de nove pessoas escravizadas que viveram na casa de George Washington, na Filadélfia, por uma versão excessivamente simpática aos escravizadores e que embranquece as origens do país. Porque nada diz 'Restaurando a Verdade e a Sanidade' como trocar fatos históricos por uma narrativa mais aconchegante às 2 da manhã.

A instalação de novos painéis informativos ocorreu após uma briga de seis meses entre a cidade da Filadélfia e a administração Trump sobre um memorial à escravidão na antiga casa de Washington e John Adams. O Serviço Nacional de Parques (NPS) removeu os painéis originais em 22 de janeiro de 2026 para cumprir a ordem executiva de Trump "Restaurando a Verdade e a Sanidade à História Americana", emitida em 27 de março de 2025. Após a cidade entrar com uma ação judicial, a juíza Cynthia M. Rufe ordenou a reinstalação dos painéis originais em 16 de fevereiro. O NPS então reinstalou metade da exposição, deixando o local em um impasse por meses. O governo federal recorreu ao terceiro circuito dos EUA, que decidiu em meados de junho que a exposição poderia ser substituída. Em 3 de julho, um painel de três juízes declarou que a administração Trump poderia instalar novos painéis. Na madrugada de 15 de julho, o NPS substituiu a exposição original - que contava a história dos nove escravizados que serviram a George e Martha Washington na década de 1790, quando a capital dos EUA se mudou temporariamente para a Filadélfia - por novos painéis que a administração alega dar uma imagem mais completa das origens da nação. Nada diz 'imagem mais completa' como minimizar a escravidão.

"Da noite para o dia, sob o manto da escuridão, o governo federal removeu painéis na Casa do Presidente que contavam uma história completa da Filadélfia", disse a prefeita Cherelle L. Parker. "Foi permitido fazer isso pela decisão do tribunal federal, mas o fato de ter feito isso à noite mostra que entende que esta ação é vergonhosa, que viola a confiança da comunidade." De fato, se você vai fazer algo vergonhoso, é melhor fazer quando ninguém pode ver.

A remoção ocorre em meio a um esforço agressivo de Trump para desmantelar iniciativas de diversidade, usando sua autoridade executiva para remodelar como instituições financiadas pelo governo federal apresentam a história americana. Sua ordem executiva determinou que o Departamento do Interior garantisse que locais históricos não exibam exposições que "difamem americanos passados ou vivos", gerando preocupações de que capítulos difíceis da história dos EUA estão sendo higienizados. Porque nada diz 'patriotismo' como fingir que as partes desconfortáveis nunca aconteceram.

Um porta-voz do Departamento do Interior disse que os novos painéis "reconhecem os males da escravidão, incluindo suas injustiças e hipocrisias" e "nos lembram de sua humanidade essencial". Um painel destaca o desconforto de Washington em relação à escravidão, enquanto outro afirma que os escravizados na Casa do Presidente "experimentaram um maior grau de autonomia do que em outros lugares do Sul, como explorar a cidade e às vezes até ir ao teatro, com Washington comprando os ingressos". Porque nada diz 'autonomia' como ter ingressos comprados pelo seu escravizador.

O advogado da Filadélfia Michael Coard zombou dessa noção e comparou as ações da administração ao 1984 de George Orwell. "As pessoas deveriam realmente ter medo. Este é sempre o primeiro passo para o fascismo", disse Coard ao Guardian. "O que poderia teoricamente acontecer se o presidente não gostar do Sino da Liberdade? Então o que você faz - você move o Sino da Liberdade? E se, por causa da imigração, o presidente não gostar da Estátua da Liberdade - nos livramos da Estátua da Liberdade? Isso é uma ladeira escorregadia." Coard fundou a Coalizão Vingando os Ancestrais em 2002, que pressionou pelo memorial original. A cidade ainda tem opções legais, incluindo buscar reconsideração de um tribunal de 14 membros do terceiro circuito ou apelar para a Suprema Corte dos EUA. "Simplesmente porque ele veio como um ladrão na noite e colocou novos painéis", disse Coard, "não significa que um tribunal não possa remover esses painéis mitológicos."