Nos degraus do parlamento de Vitória, 121 cadeiras vazias serviram como um lembrete contundente das vidas indígenas perdidas por suicídio nos últimos cinco anos. A Organização de Saúde Aborígene Vitoriana (VACCHO) afirma que essas mortes ocorreram após a comissão real de saúde mental entregar seu relatório final em março de 2021. Esse relatório, que enfatizava a autodeterminação aborígene, o bem-estar social e emocional e a criação de dois centros de cura cultural, levou o governo estadual a aceitar todas as 65 recomendações finais e nove do relatório interino. No entanto, cinco anos depois, as recomendações que afetam diretamente os povos das Primeiras Nações - que continuam com três vezes mais probabilidade de morrer por suicídio - permanecem em grande parte não implementadas.

Jill Gallagher, diretora executiva da VACCHO e mulher Gunditjmara, não mediu palavras: "Muitas recomendações saíram desse relatório e não muitas recomendações aborígenes foram implementadas. O governo não fez nada. Não estabelecemos esses centros de cura muito importantes, e é crucial tentar abordar esses números." Ela acrescentou: "Não são apenas números que estamos falando, são membros de nossas famílias. Nossas famílias sofrem, nossas comunidades sofrem."

Gallagher observou que a VACCHO se candidatou duas vezes em cinco anos para financiamento dos centros, estimado em US$ 36,2 milhões ao longo de quatro anos. A mulher Gunditjmara Nikki Foy, que perdeu seu irmão por suicídio há mais de 20 anos, disse que os serviços convencionais não conseguem lidar com as "complexidades do trauma que carregamos". Ela pediu "centros de cura que sejam culturalmente apropriados para o nosso povo. A cultura cura." Foy alertou: "Hoje, ou amanhã, alguma família lá fora receberá um telefonema... e será informada de que seu ente querido morreu por suicídio... chega. Somos os especialistas que sabem como apoiar e como ajudar o nosso povo. Deixe-nos fazer isso."

Reduzir as taxas de suicídio indígena é uma das 17 metas do Closing the Gap. Tanto a ministra da saúde mental de Vitória, Ingrid Stitt, quanto a porta-voz da oposição, Emma Kealy, falaram com repórteres, mas nenhuma se comprometeu a financiar os centros. A Coalizão prometeu revogar as leis de tratado de Vitória e desmantelar Gellung Warl, o órgão representativo das Primeiras Nações, dentro de 100 dias se vencer a eleição de novembro. Perguntada se abolir Gellung Warl ajudaria a reduzir os suicídios, Kealy disse que a política do partido se concentra em financiar organizações controladas pela comunidade aborígene, acrescentando que "embora a jornada possa ser diferente", eles estão comprometidos em fechar a lacuna. Stitt prometeu defender "fortemente dentro do gabinete e dentro do processo orçamentário" pelos centros de cura, e enfatizou: "O tratado é uma parte enorme disso. Os povos das Primeiras Nações orgulhosos em Vitória têm as soluções, e trabalharemos muito para garantir que eles tenham o poder de entregar essas soluções."