Na tarde de terça-feira em Nova York, os Rolling Stones reuniram amigos, jornalistas e colegas artistas para uma prévia de seu 25º álbum, Foreign Tongues. Porque quando você vendeu 250 milhões de álbuns, o próximo passo lógico é dar uma festa de audição para Leonardo DiCaprio e Baz Luhrmann.

Antes do trio subir ao palco, o apresentador Conan O'Brien comentou, com tom irônico, que talvez, finalmente, este seja o álbum em que a banda vai "finalmente estourar após décadas de obscuridade". A plateia, que incluía Leonardo DiCaprio, o diretor Baz Luhrmann e a atriz Odessa A'zion, riu apreciativamente — presumivelmente porque a ideia dos Rolling Stones serem obscuros é mais engraçada do que qualquer piada que Conan pudesse escrever.

Sete décadas de carreira e mais de 250 milhões de álbuns vendidos depois, a banda dificilmente precisa cimentar seu legado. Mas nos últimos anos, o grupo — agora um trio após a morte do baterista Charlie Watts em 2021 — se reenergizou criativamente. Hackney Diamonds, seu álbum de 2023, foi elogiado pelo crítico do Guardian Alexis Petridis como um retorno à forma que "crepita com um senso de propósito".

Em Foreign Tongues, a banda se une novamente ao produtor de Hackney Diamonds, Andrew Watt (Lady Gaga, Justin Bieber), além de uma série de convidados especiais como Steve Winwood, Paul McCartney, Robert Smith do The Cure e Chad Smith do Red Hot Chili Peppers. Porque aparentemente os Stones acharam que ainda não tinham amigos famosos suficientes.

No evento em Nova York, Mick Jagger disse que as 14 músicas de Foreign Tongues abrangeriam vários gêneros: "O lance deste disco é — os Stones são uma banda de rock que também tem a capacidade de fazer baladas, música country ou dance music. Então não ficamos presos a um único estilo." Em outras palavras, eles ainda são os Rolling Stones, só que com mais saltos entre gêneros.

"Quando não está funcionando, é aí que chamamos o árbitro", disse Keith Richards, apontando para Watt, que riu junto. "Ele nos dá um chute no traseiro." Porque nada diz rock 'n' roll como um produtor que também serve como chutador motivacional.

Jagger descreveu a nova música Ringing Hollow como uma "canção country" inspirada pelo amor vitalício dele e de Richards por Hank Williams, enquanto Beautiful Delilah vem do blues do delta. O cantor também provocou Hit Me in the Head, "um punk rocker de verdade" com partes gravadas por Watts antes de sua morte. Porque mesmo na morte, Charlie Watts ainda mantém o ritmo.

No palco, o trio estava de bom humor e ágil, com Jagger feliz em entrar na brincadeira quando O'Brien brincou que o blazer listrado do cantor era "do espólio de Willy Wonka". Jagger, sempre um bom esportista, apenas seguiu o fluxo.

"É foda", disse O'Brien sobre o novo álbum, acrescentando que lembra o clássico de 1972 da banda, Exile on Main St, e que ouviu o disco "25 vezes" desde que o recebeu alguns dias atrás. "Há uma vibração, uma urgência nele." Isso é 25 vezes em, o quê, uma semana? Ou é muito bom ou Conan tem muito tempo livre.

Isso se deve em parte ao fato de o álbum ter sido gravado em cerca de um mês, disse Jagger: "Ter apenas quatro semanas nos deu uma urgência. Nos divertimos a maior parte do tempo no estúdio, mas também é muita concentração — você realmente tem que fazer os cinco minutos de [uma música] valerem a pena." Porque nada diz rock 'n' roll como um prazo.

Quando perguntado como mantém sua voz em ótima forma, Jagger disse, irônico: "Eu estava tomando muitas drogas em 1968... então é prática." O homem tem um ponto — e uma dose saudável de autodepreciação.

"Riffs, você não pode forçá-los", disse Richards. "Eles vêm até você." Enquanto isso, o guitarrista Ronnie Wood comparou a interação com seu colega guitarrista a "uma forma antiga de tecelagem". Porque quando você toca junto por décadas, sua colaboração musical começa a se assemelhar à produção têxtil.

A capa de Foreign Tongues é uma pintura do artista nova-iorquino Nathaniel Mary Quinn, que descreveu a imagem como uma "amálgama" da banda. "Eu chamo de Sr. Feio", brincou Jagger.