A humanidade precisa implantar novas tecnologias de sucção de carbono a um ritmo que faça a adoção de painéis solares parecer um passeio tranquilo, segundo um novo relatório que aparentemente ainda não foi arruinado pelo clima político atual. O estudo, publicado na terça-feira, constata que os chamados métodos de remoção de dióxido de carbono (CDR) — máquinas que inalam CO2 como um asmático gigante e caro, além de truques químicos como fazer biochar — atualmente respondem por impressionantes 0,1% das 2,2 bilhões de toneladas de CO2 removidas globalmente a cada ano. O resto vem do bom e velho plantio de árvores, que, como qualquer um que já tentou enfiar uma floresta em um estacionamento sabe, é limitado pelo espaço.

O CDR inovador tem crescido 40% ao ano, mas parte de uma base tão pequena que precisa atingir taxas de crescimento entre as de painéis solares e veículos elétricos — basicamente a Fórmula 1 da tecnologia climática. Infelizmente, apenas um quinto da capacidade planejada realmente se materializou, o que é aproximadamente a taxa de sucesso das resoluções de Ano Novo. "Os países prometeram cerca de 2,7 bilhões de toneladas de remoção de carbono até 2035 e cerca de 3,6 bilhões até 2050, mas as trajetórias climáticas exigem muito mais", disse William Lamb, cientista do Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático e coautor do relatório. "Isso deixa uma lacuna que cresce significativamente ao longo do tempo." Em outras palavras, estamos levando um estilingue para uma briga de trabuco.

Os cientistas comparam a remoção de carbono à limpeza de uma praia: a solução mais barata é parar de jogar lixo, mas aqui estamos nós, catando décadas de lixo da negação. O relatório observa que o apoio é "frágil", o que é diplomático para "os EUA sob Donald Trump deixaram o acordo de Paris, rasgaram as regras verdes e estão basicamente fazendo um comercial de combustíveis fósseis". Os pesquisadores alertaram que o "desmantelamento e a volatilidade das políticas" nos EUA estão minando a credibilidade e fazendo outros países se sentirem como se também pudessem relaxar.

A Microsoft, que comprou 82% de todos os créditos inovadores de CDR — tornando-se a Willy Wonka da remoção de carbono — supostamente pausou suas compras em abril. A diretora de sustentabilidade da empresa, Melanie Nakagawa, disse em comunicado que o programa não terminou, embora não tenha dito quando as compras serão retomadas. "Às vezes podemos ajustar o ritmo ou o volume", disse ela, o que é corporativês para "ainda estamos comprometidos, só não agora". Ana Hernández, da Fundação para Pesquisa Climática na Espanha, observou que isso contribui para um declínio nas ambições corporativas. "Nenhum país do G20 tem uma meta de remoção legalmente vinculante", acrescentou, "e as NDCs submetidas em 2025 não aumentaram a ambição para a remoção de carbono".

Thomas Gasser, cientista do Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados, ofereceu um vislumbre de esperança: "Embora estejamos realmente muito atrasados em termos de desenvolvimento de CDR, continua sendo a única opção para reverter as mudanças climáticas a longo prazo — mas apenas se as emissões de gases de efeito estufa também forem reduzidas a quase zero". Então, para resumir: precisamos parar de queimar coisas, plantar muitas árvores e construir um monte de máquinas caras de sucção de ar. O que poderia dar errado?