Centenas de milhares de porto-riquenhos agora vivem o estilo de vida '48 horas ligado, 48 horas desligado', e não de uma forma divertida e moderna. O território dos EUA implementou cortes rotativos de água para combater uma seca tão severa que até as torneiras estão jogando a toalha.

Moradores de San Juan, onde a água foi cortada na sexta-feira, não estão achando graça. 'É inacreditável viver isso hoje', disse a moradora Gloriany Baba, chamando as condições de 'brutais'. O governo não deu nenhuma pista sobre uma data para o fim, porque por que dariam?

De acordo com o Monitor de Secas dos EUA, a maior parte da ilha está em seca moderada a severa, situação agravada por uma infraestrutura que já viu décadas melhores. A autoridade de águas admite que cerca de 65% da água que produz desaparece no ar - ou mais precisamente, em canos furados e contas não pagas. A governadora Jenniffer González reconhece a infraestrutura envelhecida, mas insiste que o racionamento é culpa da Mãe Natureza, apontando para o reservatório Carraízo esgotado. Julho foi o mais seco já registrado, com 68% da ilha oficialmente ressecada.

Sete regiões que dependem do reservatório são afetadas, com 180 mil imóveis enfrentando o corte. González diz que a decisão veio após 'avaliar cuidadosamente' a situação e as previsões meteorológicas, acrescentando: 'Essa situação está além do nosso controle'. Especialistas alertaram sobre isso semanas atrás, mas quem ouve especialistas?

Moradores agora fazem fila nos caminhões-pipa, enchendo garrafas como se fosse o apocalipse. Também há confusão sobre quem recebe água e quando - a área de Morcelo, que prometeram água na sexta-feira, supostamente não recebeu nada. 'As pessoas estão incertas porque sabem que estamos na janela de 48 horas em que deveríamos ter água potável', disse o líder comunitário Rubén Torres. 'As primeiras 24 horas já se passaram e a água não chegou.'

Além da óbvia falta de chuva e canos rachados, especialistas apontam para sedimentos entupindo os reservatórios. Não é a primeira vez: racionamento semelhante ocorreu em 2020 e 2015, quando 400 mil famílias recebiam água a cada três dias.

Porto Rico entende bem de clima extremo, graças às mudanças climáticas. O furacão Maria em 2017 devastou a rede elétrica da ilha e matou milhares, e os cientistas dizem que as mudanças climáticas tornaram suas chuvas mais prováveis. A governadora González também mencionou mais de 1.000 incêndios florestais queimando atualmente e insinuou que a chuva pode voltar quando uma nuvem de poeira do Saara se dissipar. O governo federal dos EUA está 'ajudando', disse ela, sem dar detalhes. A FEMA ainda não comentou, provavelmente porque está ocupada lidando com as consequências.

Enquanto isso, a rede elétrica da ilha ainda está se recuperando de um apagão na véspera de Ano Novo, porque por que não acumular mais problemas?