No que só pode ser descrito como um salão de espelhos político, Hunter Biden sentou-se com a provocadora de direita Candace Owens em sua sala cheia de livros, decorada com um crucifixo e orquídeas em forma de coração, segurando uma caneca de café com o rótulo "Teórico da Conspiração". A primeira pergunta de Owens: "A cocaína encontrada na Casa Branca era sua?"
Chamar isso de parceria incomum é um eufemismo; chamar de Frost/Nixon é um exagero. Mas por quase duas horas, o filho de um ex-presidente democrata e uma podcaster que já o chamou de "suposto predador sexual" e "degenerado que deveria estar na prisão" de uma "família de escória" encontraram terreno comum em serem incompreendidos, serem alvo de um presidente poderoso e questionar se as tentativas de assassinato contra Donald Trump foram encenadas.
Owens pediu desculpas por tratar Biden como "uma caricatura", dizendo: "Sinto muito por ter contribuído para isso. Tipo, me sinto muito mal." Biden, por sua vez, a chamou de "provavelmente a comunicadora mais eficaz que já ouvi atrás do microfone". Eles discutiram sua história de recuperação - Owens admitiu: "Eu simplesmente não considerei: Ele é um viciado em crack. Isso é realmente algo muito identificável" - e Biden propôs que fossem juntos ver o Papa Leão XIV: "Sério, vamos ao Vaticano."
Grande parte da conversa focou na longa luta de Biden contra o vício, na morte de seu irmão e na exposição pública de fotos comprometedoras, mensagens privadas e e-mails. "Isso me forçou a uma escolha", disse ele. "Eu saio da cama e vivo, ou morro?"
Biden passou anos sob ataques republicanos, incluindo a ex-deputada Marjorie Taylor Greene exibindo imagens gráficas dele durante uma audiência no Congresso. No entanto, Greene chamou a entrevista de "o que o jornalismo real parece". O momento mais revelador veio quando Owens se desculpou por participar dos ataques: "Eu participei da desumanidade de apenas 'Olhe para esse cara no pior momento da sua vida, com prostitutas. Ele está no crack, está drogado, e devemos zombar dele'." Biden se emocionou, dizendo: "Você dizer isso para mim... significa o mundo."
Biden também expressou raiva sobre as atividades empresariais da família Trump receberem menos escrutínio do que as suas. "Eu tive dois shows e provavelmente vendi um total de 20 pinturas", disse ele. "E você teve um problema comigo sendo esse emblema de corrupção?" Owens concordou, dizendo que gostaria de voltar aos dias em que a arte de Hunter Biden era o negócio mais corrupto da política.
Sobre o tema de seu pai, Owens evitou, chamando de "completamente demoníaco" pedir a Hunter que dissesse algo ruim. Biden se esquivou quando perguntado sobre Kamala Harris, dizendo que não a conhecia bem e não queria "cagar na vice-presidente".
A entrevista também revelou o profundo ceticismo de Biden em relação ao governo federal e o medo de ser incriminado pela administração Trump. Ele disse que tem uma testemunha que o observa arrumar suas malas antes dos voos, com medo de que alguém possa plantar drogas. Tanto ele quanto Owens sugeriram que as tentativas de assassinato contra Trump e o assassinato de Charlie Kirk poderiam ter sido encenados. "É tão desrespeitoso que nem estamos recebendo boas operações psicológicas mais", disse Owens.
Quanto à cocaína da Casa Branca, Biden confirmou que não era dele: ele está sóbrio desde 1º de junho de 2019. "Eu sou, acho, provavelmente o viciado mais famoso - e pessoa famosa, pela graça de Deus, em recuperação."
Então por que ele estava lá? Por que ele reativou sua conta no X? E o que vem a seguir para um homem que muitos republicanos amam odiar e muitos democratas desejam que desapareça? A entrevista não ofereceu respostas claras, mas muitas conexões constrangedoras.