Governo do Iêmen remexe gabinete e generais, porque isso sempre funciona
O governo do Iêmen reconhecido pela ONU remexe o gabinete e os generais numa tentativa de virar a guerra — porque nada diz 'a ganhar' como despedir pessoas e esperar pelo melhor.
Num movimento que não surpreenderá absolutamente ninguém que já tenha assistido a uma guerra a correr mal, o governo do Iêmen reconhecido pela ONU remexeu a sua liderança política e militar, na esperança de recuperar território perdido para os houthis em setembro e levantar o cerco de quatro semanas a Taiz, a terceira maior cidade do país.
A contraofensiva lançada a 5 de outubro, destinada a libertar todo o país do controlo houthi, falhou em meio a combates que deixaram milhares de mortos de ambos os lados. A Arábia Saudita, aliada do governo, gozou de superioridade aérea — enquanto repelía ataques houthis quase diários aos seus aeroportos e bases militares — mas isso não se traduziu em progressos no terreno. A Reuters noticiou na segunda-feira que as forças houthis estavam a apenas cerca de 37 milhas (60 km) de Aden, a sede nominal do governo reconhecido pela ONU.
A vaga de demissões e nomeações reflete reveses militares e possivelmente uma necessidade percebida de ser mais sensível às exigências dos iemenitas do sul. Entre 1967 e 1990, o país esteve dividido em dois, e há um forte movimento em torno do banido Conselho de Transição do Sul (STC) que procura reverter para essa divisão, ou criar um país mais federado. O governo tornou-se dependente de tropas do sul para repelir os avanços houthis, mas estas forças insistem que só lutarão para defender terra dentro do antigo Iêmen do Sul.
Novas alegações foram ventiladas esta semana de que os líderes do STC foram coagidos pelos sauditas a dissolver a organização contra a sua vontade. A crescente crítica à Arábia Saudita por parte de responsáveis do STC nos media reflete a sua confiança de que, se o norte for perdido para os houthis, os sauditas terão de deixar o STC operar abertamente. Nem todos os separatistas do sul apoiam o STC, uma organização que se excedeu em janeiro, tornando mais fácil para a liderança saudita adiar decisões sobre a questão do sul.
Algumas das figuras mais seniores do governo apoiado pela ONU estão largamente baseadas em hotéis em Riade em vez de operarem permanentemente de dentro do Iêmen, e o governo depende do dinheiro saudita para pagar salários. Críticos dizem que a administração se tornou um "governo de hotel". No início desta semana, o seu executivo governante — o conselho de liderança presidencial — reuniu-se pela primeira vez em meses em Riade, onde abordou a perda de vastas faixas de território para os houthis ao longo da costa oeste do Iêmen. Desde então, os combates passaram para as montanhas em torno de Taiz.
Numa tentativa de reequilibrar a divisão norte-sul no seu governo, o Presidente Rashad al-Alimi demitiu o ministro da Informação de longa data, Muammar al-Eryani, substituindo-o pelo Prof. Salem al-Awlaki, anteriormente ministro da Função Pública e porta-voz do STC de 2017 a 2019. Alimi escolheu outros dois sulistas como ministros da Administração Local e da Função Pública e nomeou novos líderes para a autoridade da aviação civil, os portos de Aden e o ministério dos Transportes.
Também demitiu Yusuf al-Sharaji, a figura militar responsável pela frente de Taiz, e Abu Bakr al-Jabouli, um brigadeiro responsável pelo eixo de Tor al-Baha. Acusações generalizadas tinham sido feitas sobre a falha de al-Sharaji em gerir operações, resultando na queda de várias áreas e distritos para os houthis. A tarefa de levantar o cerco a Taiz e coordenar forças foi entregue ao Major-General Rashad al-Yousfi, um oficial de carreira.
Parte da dificuldade é a tensão entre as diferentes forças que lutam do lado do governo. Alegou-se que Abu Zara'a, o líder dos Gigantes do Sul, se desentendeu com as Forças do Escudo da Pátria, que são financiadas pela Arábia Saudita e afiliadas a Abdulrahman al-Lahji. O Escudo da Pátria sofreu pesadas perdas, levando al-Lahji a apresentar um relatório oficial acusando Abu Zara'a de traição, e alertando que a situação em Dhubab, perto do estratégico estreito de Bab al-Mandab, se tornou extremamente perigosa para o governo. Alegações repetidas de que o controlo do estreito foi recuperado fr
The Good Times
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