Num movimento que combina genialidade estratégica com um profundo desconhecimento tanto da ginecologia quanto da medicina de campo, o regime militar de Mianmar está expandindo sua proibição à distribuição de produtos menstruais. Segundo ativistas locais, os militares alegam que os absorventes higiênicos estão sendo usados para tratar combatentes da resistência feridos, porque aparentemente, a Força de Defesa Popular está administrando seus hospitais de campanha com o estoque do armário de banheiro de uma adolescente.

A proibição é considerada parte de um esforço mais amplo conhecido como 'quatro cortes', projetado para privar os insurgentes de suprimentos básicos. Começou em agosto em certas áreas e desde então se expandiu. Transportar absorventes pela ponte que liga Sagaing a Mandalay, a segunda maior cidade de Mianmar, agora é completamente proibido. Thinzar Shunlei Yi, diretora do coletivo de direitos das mulheres Sisters2Sisters, observa que a expansão provavelmente é mais difundida do que muitos imaginam, graças ao tabu persistente em torno de falar sobre menstruação.

Profissionais médicos, no entanto, estão chamando a justificativa militar de analfabeta em termos médicos. Meredith Bunn, fundadora da organização de ajuda médica Skills for Humanity (SFH), afirmou que qualquer pessoa que já trabalhou em medicina de combate sabe que absorventes são inúteis para tratar ferimentos por arma de fogo ou lacerações. Ela culpou a política por 'tolos completamente ignorantes e misóginos dentro do exército.'

O resultado prático é que as mulheres agora são forçadas a usar alternativas inseguras como trapos, folhas ou jornal, expondo-as a infecções do trato urinário e infecções do trato reprodutivo, de acordo com Henriette Ceyrac da agora extinta organização de educação menstrual Pan Ka Lay. Para aquelas que podem pagar, surgiu um mercado oculto onde os preços triplicaram de 3.000 kyat (£1) para 9.000 kyat por pacote - uma quantia que excede o salário mínimo diário do país de 7.800 kyat.

Num país onde o sistema de saúde entrou em colapso, isso cria um ciclo vicioso. Thinzar Shunlei Yi diz que o Sisters2Sisters regularmente recebe pedidos de antibióticos para tratar infecções urinárias. O desconforto é tão severo que algumas mulheres estão optando por ficar em casa durante seus períodos em vez de participar de 'atividades políticas.' Ceyrac sugere que essa restrição do movimento das mulheres é provavelmente a intenção do regime, chamando-a de 'basicamente violência baseada em gênero.'

Bunn acredita que a proibição é uma tática militar projetada para atingir combatentes femininas, controlar civis e vitimizar as mais de 3,5 milhões de pessoas deslocadas desde 2021. Grupos de ajuda estão tentando distribuir absorventes reutilizáveis, mas sem acesso a água para lavagem, mesmo estes podem causar problemas de saúde. Alternativas mais sofisticadas como copos menstruais são raras numa cultura onde, como Ceyrac observa, 'É malvisto, como mulher, buscar informação e ser conhecedora dessas coisas.'

Grupos locais agora alertaram as Nações Unidas sobre a situação, chamando a proibição de um bem básico de uma violação dos direitos humanos. Parece que o regime descobriu uma nova arma de guerra: misoginia armamentizada, com um toque de profunda confusão anatômica.