Nathalie Baye, uma das estrelas de cinema mais celebradas da França, morreu em sua casa em Paris aos 77 anos. Sua família confirmou à AFP que sua morte na sexta-feira à noite foi devido à demência por corpos de Lewy, uma doença neurodegenerativa. A notícia levou o presidente Emmanuel Macron a imediatamente acionar o tesauro oficial do estado, declarando que a atriz era "uma atriz com quem amamos, sonhamos e crescemos".
A carreira de Baye foi daquele tipo de trajetória prolífica e condecorada que faz outros atores considerarem uma carreira em contabilidade. Nascida na Normandia em 1948 em uma família boêmia, ela começou como dançarina antes de seu papel de destaque na comédia de François Truffaut de 1973, La Nuit Américaine (Noite Americana), recém-saída da escola de teatro. Ela seguiria para estrelar cerca de 80 filmes ao longo de cinco décadas, tornando-se um pilar do cinema francês e uma vencedora de quatro Césares, que é a maneira francesa de dizer 'Oscar', mas com mais cigarros.
Sua coleção de troféus começou a sério com o César de Melhor Atriz Coadjuvante em 1981 por Sauve qui peut (la vie) (Cada Um por Si) de Jean-Luc Godard. Ela repetiu essa vitória em 1982 e então conquistou Melhor Atriz em 1983 por Une Étrange Affaire (Um Estranho Caso) e La Balance. Não contente com o domínio doméstico, ela foi nomeada Melhor Atriz no Festival de Veneza de 1999 por Une Liaison Pornographique (Um Caso Amoroso).
Baye também navegou habilmente por águas internacionais, aparecendo como mãe de Leonardo DiCaprio no filme de Steven Spielberg de 2002, Catch Me if You Can (Prenda-me se For Capaz). Em seus últimos anos, ela mostrou uma deliciosa falta de ego ao parodiar a si mesma na série Call My Agent! (Meu Agente é um Mito!) ao lado de sua filha, a atriz Laura Smet, e interpretou uma aristocrata francesa no segundo filme de Downton Abbey. Seu último papel na tela foi no drama franco-libanês de 2023, La nuit du verre d'eau (Vale Mãe).
Longe das câmeras, Baye foi publicamente defensora da ação contra as mudanças climáticas e da legislação francesa sobre morte assistida. Sua vida pessoal incluiu um relacionamento de cinco anos com o artista de rock Johnny Hallyday, apelidado de Elvis francês, com quem teve a filha Laura Smet. Homenagens vieram de colegas como Isabelle Adjani, que a chamou de "atriz de espontaneidade deslumbrante", e Richard Berry, enquanto a ministra da Cultura, Catherine Pégard, disse que Baye havia "iluminado um longo capítulo na história do cinema francês". O presidente Macron, reforçando sua declaração anterior, acrescentou no X que ela havia sido "uma presença constante... de François Truffaut a Tonie Marshall".