A crise climática está a caminho de algumas das melhores ondas do mundo, submergindo umas à medida que o nível do mar sobe e destruindo outras à medida que as ondas clássicas são esmagadas contra o desenvolvimento costeiro. Porque aparentemente, nada é sagrado — nem sequer a onda perfeita.

Uma análise de dezenas de ondas famosas em reservas mundiais de surf (WSR) descobriu que mais de três quartos estavam em alto risco devido à alteração dos níveis das marés, litorais endurecidos e areias em movimento. Portanto, se estava a planear apanhar aquela onda única na vida, talvez seja melhor fazê-lo antes que desapareça — ou antes que seja apenas uma memória num documentário de surf.

Os impactos não importam apenas aos surfistas que apanham as ondas, mas também às comunidades que dependem da economia do surf de vários milhares de milhões de dólares, frequentemente localizadas em lugares com pouco mais. Por outras palavras, destrua as ondas e destrói a economia local — transformando cidades de surf em cidades fantasma com vistas realmente bonitas.

As ondas classificadas como mais em risco no estudo incluem os "barris bombásticos" da praia de Croyde, no norte de Devon, Reino Unido, as ondas de point break em Noosa, na Austrália, e Oriente Salvaje, em El Salvador, e os recifes de Santa Cruz, na Califórnia, como Sewer Peak e Wind and Sea. Portanto, se alguma vez sonhou surfar nestes spots, agora é a altura — antes que se tornem museus subaquáticos.

As melhores ondas de surf são criadas por combinações intricadas da forma do fundo do mar, direção do swell e maré. "As ondas de surf são fenómenos oceanográficos incrivelmente únicos — uma confluência de todos estes fatores que se encaixam na perfeição para fazer a onda acontecer — e por isso esses processos são realmente sensíveis", disse Dan Reineman, professor associado na California State University Channel Islands e coautor do estudo. Por outras palavras, é uma dança delicada, e as alterações climáticas são o gajo bêbado a pisar a pista de dança.

O aquecimento global está a empurrar o nível do mar para cima e a alterar os padrões de precipitação que afetam o movimento de sedimentos, o que pode perturbar o equilíbrio delicado e destruir a onda. No entanto, os investigadores disseram que o conhecimento local especializado dos surfistas poderia ser aproveitado para ajudar a proteger as ondas. Porque quem melhor para salvar as ondas do que as pessoas que passam cada momento acordadas obcecadas por elas?

Trent Hodges, coautor do estudo e gestor sénior de programas na Save the Waves Coalition, que lançou o programa WSR em 2009, disse: "As alterações climáticas vão impactar as ondas de surf em todo o mundo de diferentes maneiras, dependendo das suas geografias únicas. Aprendemos diretamente com os surfistas locais como estão a ver as suas ondas mudar. É também um canário na mina de carvão — quando uma onda muda, isso frequentemente significa que a praia está a mudar, e todos gostam da praia." Portanto, os surfistas são agora os sentinelas não oficiais da saúde costeira — saiam da frente, cientistas.

O estudo, publicado na revista Climatic Change, conclui: "As alterações climáticas e a gestão costeira têm ambas implicações negativas significativas para a viabilidade futura de múltiplas ondas de surf de significado global e, portanto, para as miríades de comunidades locais distintas, culturas e economias que elas suportam." Em suma: sem ondas, sem dinheiro, sem cultura. Apenas um monte de pranchas de surf tristes a apanhar pó.

Quase 200 especialistas locais analisaram 57 ondas de surf em todas menos duas das 13 WSRs, espalhadas por oito países. Os investigadores disseram que milhares de outras ondas de surf em todo o mundo enfrentavam perigo semelhante. Portanto, basicamente, se és surfista, a tua lista de desejos acabou de ficar muito mais curta.

Uma descoberta chave foi que onde os litorais eram mais naturais, podiam adaptar-se melhor às mudanças trazidas pela crise climática, deslocando-se para o interior e realocando sedimentos. Desenvolvimento como paredões, molhes e esporões tornou as praias e ondas menos resilientes, disse Reineman. Portanto, betão: mau para as ondas. Quem diria?

Adam Hall, cofundador da WSR do Norte de Devon, foi um dos surfistas locais que contribuíram para o estudo. Ele disse: "O Norte de Devon é tão especial. Temos Saunton Sands, uma onda de longboard mundialmente renomada com rides realmente longos e suaves, uma"