DENVER - A Odin Space, uma startup britânica que aparentemente acha pedaços minúsculos de lixo espacial tão fascinantes quanto o resto de nós os acha aterrorizantes, anunciou em 7 de maio planos de estabelecer seu primeiro escritório nos EUA em Los Angeles.

“Estamos expandindo nos Estados Unidos porque é onde a demanda se moveu mais rápido, e onde os riscos estratégicos de atribuição são mais altos”, disse James New, CEO e cofundador da Odin Space, em uma declaração que parece ter sido redigida por alguém que já viu satélites demais serem obliterados por um parafuso rebelde.

Jerry Welsh, ex-CEO da Iceye EUA, liderará o escritório da Odin em Los Angeles. Porque nada diz “resolver problemas de detritos” como contratar alguém que costumava administrar uma empresa que fabrica satélites de radar, presumivelmente para evitar o lixo que agora rastreiam.

O escritório americano da Odin atenderá operadores de satélites comerciais e governamentais que buscam informações sobre detritos maiores que um milímetro - que são pequenos demais para serem rastreados por sensores terrestres, mas grandes o suficiente para danificar espaçonaves, já que viajam em velocidade orbital, disse New à SpaceNews. Então, basicamente, tudo entre “partícula irritante” e “falha catastrófica” agora é da conta deles.

“Detritos subcentimétricos passaram para a frente da conversa sobre risco de missão”, disse New. “Operadores têm voado cegos por anos. Eles não têm uma linha de base para o ambiente de detritos, nenhuma maneira de saber quando sua espaçonave foi atingida, nenhuma maneira de atribuir uma falha causada por detritos e nenhuma maneira acessível de se segurar contra esse risco crescente.” Em outras palavras, o espaço está se tornando uma pista de carrinhos de bate-bate sem os para-choques.

A Odin também anunciou que a Arkisys, uma startup do sul da Califórnia que desenvolve espaçonaves modulares, é a primeira cliente americana de uma linha de produtos que combina o Nano Sensor da Odin - que detecta e analisa impactos de detritos - com seguro contra colisões de detritos. Porque se você não pode parar o lixo, pelo menos pode receber uma indenização quando ele reorganizar seu satélite.

Seguradoras da Lloyd's of London estão fornecendo o seguro contra colisões. Os sensores da Odin fornecerão verificação independente de impactos de detritos para as apólices de seguro. Finalmente, um uso para aquela “caixa preta para espaçonaves” que é mais ou menos do tamanho de um band-aid.

“Quando um satélite falha em órbita, seu operador geralmente não tem como saber se foi atingido, pelo que foi atingido, ou de onde veio o impacto”, disse New. “A detecção subcentimétrica é o que transforma uma falha silenciosa em evidência utilizável.” Porque todo satélite merece saber o que o matou.

Além do Nano Sensor, a Odin está desenvolvendo o Outpost, um satélite dedicado com um sensor implantável para reconhecimento e monitoramento. “Você colocaria vários Outposts perto de infraestrutura crítica, sejam satélites de defesa, data centers ou estações espaciais, para te dizer em minutos se há um novo campo de detritos ou um ataque cinético”, disse New. “O Outpost te dirá quanto detrito há, quão rápido está viajando e sua trajetória para que você possa encontrar o ponto de origem.” Então, se alguém decidir transformar um satélite em confete, o Outpost saberá exatamente quem culpar.

A Odin Space arrecadou US$ 3 milhões em uma rodada de financiamento em dezembro de 2025 para expandir sua equipe e miniaturizar seu sensor de detritos, que foi lançado inicialmente no satélite transportador ION da D-Orbit em 2023. Porque no espaço, ninguém pode ouvir você gritar sobre uma rodada de US$ 3 milhões.