Marine Le Pen saberá na terça-feira se pode concorrer à presidência francesa no próximo ano, enquanto um tribunal de recurso de Paris decide às 13:30 (12:30 BST) se mantém a sua condenação por peculato. Ela já concorreu à presidência três vezes antes, ficando em segundo lugar para Emmanuel Macron em 2017 e 2022, mas desta vez lidera as sondagens a 10 meses do evento. Se não puder concorrer, o seu jovem protegido Jordan Bardella assumirá, tornando este veredito um potencial divisor de águas para França.

A condenação original em 31 de março de 2025 proibiu-a de exercer cargos públicos por cinco anos e impôs-lhe uma pena de quatro anos de prisão (dois suspensos, dois em prisão domiciliária com pulseira eletrónica) por desviar 1,4 milhões de euros (1,2 milhões de libras) em fundos do Parlamento Europeu para pagar o seu próprio pessoal do partido entre 2004 e 2016. Le Pen, que foi eurodeputada de 2004 a 2017, admitiu "um erro", mas negou ter orquestrado o esquema.

Os procuradores querem que a proibição de cinco anos se mantenha, com uma pena de prisão modificada de um ano com pulseira e três anos suspensos. Le Pen afirma que não tem medo, mas observa que "não é possível" fazer campanha com pulseira. Ela pintou-se como vítima de parcialidade judicial, mas o julgamento original concluiu que ela estava "no centro" do esquema de empregos falsos, tendo "abraçado autoritariamente" o sistema montado pelo seu pai.

As opções de veredito: absolvição (improvável), culpada com proibição superior a dois anos (está fora), culpada com proibição de dois anos ou menos (pode concorrer), ou pena de quatro anos de prisão com um ano de pulseira (estaria livre mas com pulseira). Ela pode recorrer para o Tribunal de Cassação, mas isso levaria meses e dificultaria a campanha - ela indicou que não seguiria esse caminho.

Se for impedida, Bardella - que completa 31 anos em setembro - seria o candidato do RN. Le Pen disse que ele seria seu primeiro-ministro se ela fosse presidente, e que o apoiaria "com grande energia" se não puder concorrer. Os adversários zombam da ideia de que ela o deixaria em paz, e as sondagens mostram Bardella ligeiramente melhor do que ela na primeira volta. O candidato conservador Bruno Retailleau gracejou que, depois de amar um presidente de 40 anos, a França "certamente adoraria ter um presidente de 30".

Le Pen aparecerá no telejornal das 20:00 da TF1 na terça-feira à noite para esclarecer as suas intenções. Entretanto, outras 12 figuras condenadas do RN - incluindo Louis Aliot, Nicolas Bay, Bruno Gollnisch, Catherine Griset e Wallerand de Saint-Just - também estão a recorrer das suas sentenças.