As autoridades do grandioso templo Ram em Ayodhya anunciaram uma reformulação na liderança após alegações de que dezenas de milhões de rúpias em doações misteriosamente partiram para destinos desconhecidos. O fundo que administra o santuário aceitou a renúncia do secretário-geral Champat Rai e nomeou o oficial florestal aposentado Krishna Mohan como substituto interino.

O templo, inaugurado em janeiro de 2024 pelo primeiro-ministro Narendra Modi, tornou-se um dos principais destinos de peregrinação, atraindo 50 milhões de visitantes anualmente. Ele substituiu uma mesquita do século XVI demolida por multidões hinduístas em 1992, evento que desencadeou tumultos em todo o país e quase 2.000 mortes.

O Shri Ram Janmabhoomi Teerth Kshetra Trust realizou sua primeira reunião na segunda-feira após as alegações surgirem no mês passado. O fundo inicialmente negou irregularidades, mas o governo estadual formou uma Equipe Especial de Investigação (SIT) de três membros. Após um relatório preliminar, a polícia registrou um caso de desvio de verbas, prendeu oito pessoas e as está interrogando.

O tesoureiro Govind Dev Giri anunciou que Rai e outro oficial, Anil Mishra, renunciaram após uma queixa policial em 25 de junho. Krishna Mohan, membro do RSS, assume como secretário-geral interino. Um novo cargo de CEO foi criado, com um painel de três membros para recomendar candidatos.

Giri revelou que o fundo recebeu 5,82 bilhões de rúpias (US$ 61 milhões) de devotos até 31 de março de 2026, gastando 3,19 bilhões de rúpias (US$ 33,48 milhões) na manutenção. Mohan disse que sua prioridade é "identificar e fechar qualquer brecha para que tais incidentes nunca se repitam", reconhecendo que as alegações prejudicaram a confiança.

As acusações de roubo foram feitas por um ex-supervisor de contas que afirma ter sido demitido após levantar preocupações internas. O assunto se tornou uma disputa política, com partidos de oposição questionando o manuseio de dinheiro, joias, ouro e prata. Petições no tribunal superior estadual e no Supremo Tribunal solicitaram uma investigação federal supervisionada por tribunal.

O valor exato roubado não está claro, mas um ex-legislador da cidade alega que mais de 70 milhões de rúpias (US$ 739.550) estão desaparecidas. Rai havia rejeitado anteriormente qualquer manuseio inadequado. Giri exigiu ação rigorosa, dizendo que a principal preocupação é o dano aos sentimentos dos devotos e à credibilidade institucional. "Se o roubo foi pequeno ou grande vem depois", disse ele, acrescentando que os curadores do templo não cometeram o roubo - foi perpetrado por pessoas em quem Rai confiava.

O fundo se reunirá novamente em 22 de julho, esperando que o relatório final da polícia esteja pronto até lá.