Os médicos consultores e especialistas da Irlanda do Norte finalmente fizeram o que 18 anos de salários encolhendo sugeriam: entraram em greve. A paralisação de 24 horas, que ocorreu das 07:00 BST de quinta-feira às 07:00 de sexta-feira, foi uma primeira vez histórica para esses dois grupos de médicos na região. Embora alguns serviços de rotina e eletivos tenham sido cancelados, o Departamento de Saúde garantiu ao público que 90% dos serviços foram mantidos – presumivelmente aqueles que não dependiam do salário de um médico para funcionar.

A cobertura total de emergência permaneceu em vigor, e os pacientes foram instruídos a comparecer a todas as consultas agendadas, a menos que avisados em contrário. Não houve manifestações em piquetes, possivelmente porque os médicos estavam ocupados calculando quanto ganham a menos do que seus colegas ingleses.

O Ministro da Saúde, Mike Nesbitt, expressou decepção, dizendo estar comprometido em implementar o aumento salarial deste ano, mas não pode devido à ausência de um orçamento acordado. Ele ofereceu aos médicos um aumento de 3,5%, que a Associação Médica Britânica (BMA) rejeitou como insuficiente. O Dr. David Farren, presidente do comitê de consultores da BMA na Irlanda do Norte, esclareceu que a paralisação não era apenas sobre salário – era também sobre recrutar e reter médicos, o que aparentemente exige pagá-los o suficiente para que não fujam para a Inglaterra.

A greve causou interrupções significativas: o Southern Trust reagendou 143 consultas ambulatoriais e 11 cirurgias; o South Eastern Health Trust fechou o centro de atendimento urgente do Lagan Valley Hospital; o Northern Trust adiou 62 consultas ambulatoriais e 64 exames de radiologia; o Belfast Trust adiou 569 consultas ambulatoriais e 114 cirurgias de dia; e o Western Trust cancelou ou adiou 321 consultas. Em outras palavras, muitas pessoas ganharam um dia de folga de suas preocupações médicas.

A BMA consultou os membros após rejeitar o aumento de 3,5% de um órgão independente de remuneração. Os resultados mostraram que 92% dos médicos residentes, 79% dos consultores e 90% dos médicos SAS (especialistas, associados e especialistas) votaram a favor da greve, citando "mais de 18 anos de erosão salarial". A Dra. Leanne Davison, presidente do comitê SAS da BMA na Irlanda do Norte, observou que o serviço de saúde "não pode mais funcionar com a boa vontade dos funcionários da linha de frente" – uma boa vontade que aparentemente tem data de validade.

Uma nova paralisação de 24 horas está agendada para segunda-feira, 29 de junho. A Dra. Clodagh Corrigan, vice-presidente do Conselho da BMA na Irlanda do Norte, chamou a situação de "lamentável", mas disse que os médicos ficaram "sem alternativa" após "promessa após promessa que foi quebrada". Nesbitt alertou que ir além dos 3,5% teria "repercussões significativas" para enfermeiros, professores, policiais e todo o setor público – o que é como dizer que você não pode dar um biscoito a uma criança porque todas as outras também vão querer um.