Num desenvolvimento que está a fazer as capitais europeias recorrerem aos seus antiácidos coletivos, o Presidente finlandês Alexander Stubb e o Primeiro-Ministro norueguês Jonas Gahr Støre realizaram o que descreveram como uma chamada "substancial" com o Presidente russo Vladimir Putin sobre negociações de paz. Kyiv espera que isto constitua um "novo impulso" nas conversações de paz, uma frase que tem feito muito trabalho pesado nos últimos anos.

A chamada alegadamente centrou-se nas negociações de paz, e a reação de alguns líderes europeus foi melhor descrita como "cética" — que é o termo diplomático para "já ouvimos esta antes". Os finlandeses e noruegueses, que partilham uma fronteira com a Rússia e, portanto, têm um interesse adquirido em não serem invadidos, aparentemente decidiram que valia a pena tentar uma chamada telefónica.

Entretanto, o Secretário de Defesa britânico Wes Streeting estava ocupado a avisar que Putin está "a testar-nos e a testar a determinação da NATO", condenando ameaças híbridas e "terrorismo patrocinado pelo Estado" por parte da Rússia. Streeting repetiu os seus recentes avisos de que "temos de estar prontos para um cenário em que o Reino Unido e a aliança da NATO se encontrem em guerra com a Rússia".

Acrescentou, com o tipo de clareza que só vem de ver a história repetir-se: "Não porque queiramos guerra — não temos nenhuma contenda com o povo russo, e não temos desejo de guerra com a Rússia; a NATO é uma aliança defensiva — mas quando Putin dá garantias de que não tem intenções de provocar uma guerra com a NATO, lembramo-nos do que ele disse sobre a Ucrânia apenas dias antes da invasão." O ponto do secretário de Defesa sendo que as garantias de Putin têm um prazo de validade aproximadamente equivalente ao de um pacote de leite deixado ao sol.

A lógica, segundo Streeting: "Quanto mais preparados estivermos para enfrentar a Rússia, para defender cada centímetro do território da NATO, menos provável é que nos encontremos nesse cenário." É o equivalente geopolítico de trancar a porta — não porque queiras ladrões, mas porque preferias que eles não entrassem.

Streeting também aproveitou para elogiar a Polónia, chamando-lhe "um dos nossos maiores e certamente o nosso amigo mais fiável na Europa", acrescentando que o Reino Unido valoriza e estima esta amizade "muito". A Polónia, por seu lado, tem sido fiavelmente vocal sobre a ameaça russa desde aproximadamente sempre.

Portanto: uma chamada de paz finlandesa-norueguesa, um aviso britânico sobre guerra, e uma grande dose de ceticismo. As conversações de paz continuam, presumivelmente com todos a manter uma mão no telefone e a outra no orçamento de defesa.