Grandes partes do sudeste da Austrália se preparam para um inverno mais seco e quente nos próximos três meses, enquanto um potencial fenômeno climático El Niño agita o Oceano Pacífico como um vizinho mal-humorado reorganizando os móveis do jardim.

Grande parte de Queensland e Nova Gales do Sul devem receber menos chuva do que o normal em maio, junho e julho, enquanto quase todo o país pode esperar temperaturas máximas acima da média. A Organização Meteorológica Mundial confirmou na semana passada que as chances de um El Niño se desenvolver no Pacífico estão aumentando - um fenômeno que historicamente torna o leste da Austrália mais quente e seco, porque aparentemente o universo ainda não terminou de testar a resiliência do país.

Eventos de El Niño também tendem a aumentar as temperaturas globais, com alguns especialistas em clima sugerindo que um evento no final deste ano poderia ajudar a estabelecer recordes globais de calor em 2027. Por que parar no meramente desconfortável quando se pode mirar no historicamente sem precedentes?

O El Niño é caracterizado por águas oceânicas mais quentes que o normal no Pacífico tropical e um enfraquecimento ou reversão dos ventos alísios de leste, que coletivamente mantêm nuvens e chuva longe do leste da Austrália. O Bureau de Meteorologia diz que ainda há discordância entre os modelos meteorológicos, mas a maioria mostra que temperaturas da superfície do mar consistentes com um El Niño podem estar em vigor até julho.

Caitlin Minney, climatologista do Bureau de Meteorologia, disse que um El Niño em desenvolvimento provavelmente é um dos fatores por trás da previsão seca. "Maio a julho parece que a precipitação provavelmente ficará abaixo da média para grande parte do leste da Austrália", disse ela. Embora as condições mais secas devam atingir NSW e Queensland com mais força, a previsão também sugere que partes do norte e oeste de Victoria, sul da Austrália do Sul e sudoeste da Austrália Ocidental podem se juntar ao clube sem chuva.

O bureau também está monitorando as condições no Oceano Índico, onde alguns modelos sugerem que as temperaturas do oceano a noroeste da Austrália podem esfriar - outro fenômeno que reduz a chance de precipitação sobre o continente. Porque quando um oceano não é suficiente para arruinar seu fim de semana, o Oceano Índico fica feliz em ajudar.

O Dr. Peter van Rensch, cientista climático da Universidade Monash, liderou um estudo no ano passado sobre os efeitos da Oscilação Sul do El Niño na precipitação australiana. Ele disse que a influência do El Niño na precipitação australiana tem sido historicamente maior em junho, julho, outubro e novembro. "O padrão da precipitação na previsão do bureau parece semelhante ao que esperaríamos da relação histórica com o El Niño", disse ele, acrescentando que "muitos modelos mostram que isso será forte, mas há muito que pode acontecer no Pacífico que pode mudar isso."

Apesar de alguns comentários sobre um potencial "super El Niño", o bureau alertou na semana passada que as previsões nesta época do ano tendem a ser menos confiáveis. Eles também notaram que a força de um El Niño não significa necessariamente que seus impactos na precipitação australiana também serão fortes - a maneira da natureza de nos manter na ponta dos pés. Van Rensch acrescentou que os El Niños concentrados no Pacífico central, em oposição ao mais a leste, tendem a ter os efeitos mais fortes na Austrália.

A previsão de longo prazo do bureau também mostra que os dois terços inferiores da Austrália têm uma chance aumentada de temperaturas máximas excepcionalmente altas de maio a julho. "O sinal da mudança climática está aparecendo muito fortemente em nossas previsões de temperatura", disse Minney. O aquecimento global, causado pela queima de combustíveis fósseis e desmatamento, aqueceu a Austrália em cerca de 1,5°C desde 1910 - um lembrete de que o planeta mantém a pontuação, mesmo quando preferimos não pensar nisso.