Em uma rara notícia boa para a maior floresta tropical do mundo, a área queimada na Amazônia brasileira em 2025 foi muito menor que no ano anterior, segundo o MapBiomas. O grupo de monitoramento relata que 3,1 milhões de hectares foram consumidos pelo fogo no ano passado, contra os recordes de 15,8 milhões de hectares em 2024. Essa é a menor área queimada desde que o MapBiomas começou a monitorar em 1985 - então, sabe, progresso.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que fez da proteção da Amazônia uma promessa central de campanha há quatro anos, certamente ficará satisfeito. Esses números chegam bem a tempo para sua tentativa de reeleição em outubro, porque nada diz "vote em mim" como menos árvores crocantes. Em 2024, a Amazônia sofreu os piores incêndios em mais de duas décadas, que o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus atribuiu a "extremos climáticos e atividade humana" - ou seja, basicamente tudo.

Vera Arruda, pesquisadora do IPAM e coordenadora do MapBiomas, disse à BBC: "Os números de 2025 são significativos e mostram que é possível reduzir a área queimada." Mas ela acrescentou a cautela obrigatória: "A queda de 31% em relação à média histórica... ainda não nos permite concluir que esta é uma tendência estabelecida ou reduzir os esforços de prevenção." Em outras palavras: não soltem os confetes ainda.

As boas notícias vão além da Amazônia: em todo o Brasil, cerca de 12,7 milhões de hectares queimaram em 2025, contra 30 milhões em 2024. O recorde continua sendo os 30,7 milhões de hectares de 2007, então ainda não estamos ganhando nenhum prêmio. O declínio reflete parcialmente uma mudança do El Niño mais quente para condições mais frias de La Niña, porque os padrões climáticos são amigos volúveis. Mas o MapBiomas alertou que o El Niño pode retornar, estendendo a estação seca e aumentando o risco de incêndio - porque, claro, pode.

Florestas tropicais como a Amazônia abrigam milhões de espécies e, quando saudáveis, absorvem grandes quantidades de dióxido de carbono que aquece o planeta. Elas estão sob pressão de décadas de desmatamento para agricultura e exploração madeireira, além das mudanças climáticas, que os cientistas dizem criar condições para incêndios maiores. Lula prometeu reverter o desmatamento sob seu antecessor Jair Bolsonaro, que argumentou que mais agricultura e mineração reduziriam a pobreza. Ambientalistas acusaram Bolsonaro de deixar o desmatamento acelerar e, de fato, o corte de árvores aumentou 75% durante seu mandato.

No primeiro dia de seu mandato, Lula declarou a meta de "desmatamento zero na Amazônia". Ambientalistas comemoraram, mas desde então franziram a testa com sua aprovação da exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas - uma medida que ativistas dizem contradizer suas promessas. Então, mensagens mistas, como sempre. Mas ei, pelo menos algo queimou menos este ano.