Em uma demonstração impressionante de acordo bipartidário que faria um diagrama de Venn corar, a Suprema Corte decidiu por 9 a 0 que um usuário de maconha do Texas pode possuir legalmente uma arma de fogo, porque aparentemente a Segunda Emenda e a Lei de Substâncias Controladas agora estão em um relacionamento complicado e codependente.
O caso envolveu Ali Danial Hemani, um residente do Texas acusado de posse ilegal de arma após admitir ser usuário regular de maconha. Notavelmente, Hemani não foi acusado de nenhum outro crime nem de usar a arma sob efeito da droga — ele só queria exercer seu direito constitucional de portar armas enquanto também exercia seu direito constitucional de relaxar.
A Lei de Controle de Armas de 1968, que proíbe a posse de armas para qualquer pessoa que "seja usuário ilegal ou viciado em qualquer substância controlada", levou um golpe. Essa mesma restrição levou à condenação de Hunter Biden em 2024, que mais tarde recebeu um perdão do então presidente Joe Biden depois que promotores o acusaram de mentir sobre seu uso de narcóticos ao comprar um revólver Colt Cobra em 2018.
Hemani argumentou que a lei federal viola a Segunda Emenda, e a Suprema Corte concordou. A decisão é uma derrota para o governo Trump, que defendeu a lei de 1968 apesar de argumentar contra outras restrições a armas — uma posição que exige o tipo de ginástica mental geralmente reservada para atletas olímpicos.
Enquanto isso, em outras notícias que parecem vir de um planeta completamente diferente, JD Vance vai realizar uma coletiva de imprensa na Casa Branca onde provavelmente enfrentará perguntas sobre o acordo com o Irã que Trump assinou em Versalhes — um acordo de 14 pontos que tem alguns republicanos se perguntando se acidentalmente tropeçaram em uma linha do tempo alternativa.
O acordo, que Trump alega ser uma "grande vitória", inclui concessões significativas ao Irã, incluindo alívio de sanções, liberação de fundos congelados e um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões. Críticos, incluindo o senador democrata Adam Schiff, chamaram de "difícil imaginar uma capitulação mais completa", enquanto o senador cessante da Louisiana, Bill Cassidy, sugeriu que Ronald Reagan está "se revirando no túmulo".
O principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, foi caracteristicamente humilde, chamando o acordo de "um registro do fracasso dos EUA". O chefe do Hezbollah, Naim Qassem, por sua vez, saudou-o como uma "grande vitória", o que nunca é um bom sinal para a política externa dos EUA.
Mas ei, pelo menos o Estreito de Ormuz será reaberto, restaurando o status quo anterior à guerra que matou 13 militares americanos e custou bilhões às famílias nos postos de gasolina. Então, lados positivos?
Em outras notícias da Suprema Corte, os juízes também devem decidir sobre as tentativas de Trump de limitar a cidadania por nascimento e remover proteções legais para imigrantes haitianos e sírios. Porque aparentemente, a corte não terminou de fazer manchetes neste mandato.