Starmer Corre Contra o Relógio para Aprovar Lei de Hillsborough Antes que Seu Mandato Vire Nota de Rodapé Histórica
Starmer tenta enfiar um projeto de lei histórico de responsabilização antes que seu tempo acabe, porque nada diz 'legado' como uma corrida de última hora pelo Parlamento.
Numa jogada que parece menos um final triunfante e mais um pedido de extensão de prazo, Keir Starmer estaria planejando usar sua última semana no cargo para empurrar a lei de Hillsborough pela Câmara dos Comuns. O projeto, oficialmente chamado de Projeto de Lei de Cargos Públicos (Responsabilização), visa dificultar que funcionários públicos mintam impunemente após desastres — um conceito que, pode-se pensar, não exigiria legislação.
A legislação foi uma promessa central do manifesto trabalhista, com Starmer prometendo na conferência do partido em 2024 em Liverpool que a aprovaria antes do aniversário de 15 de abril do desastre de Hillsborough. E, no entanto, aqui estamos nós, com o tempo do primeiro-ministro se esgotando como areia numa ampulheta de responsabilização. Os atrasos? Ah, os suspeitos de sempre: ministros em conflito com ativistas, e as agências de inteligência MI5, MI6 e GCHQ levantando preocupações sobre segurança nacional — porque nada diz 'transparência' como um veto secreto.
O projeto criaria novos delitos para funcionários que deliberadamente enganam o público ou obstruem a responsabilização, e fortaleceria o apoio a famílias que buscam justiça após grandes desastres. Seu nome vem do desastre de Hillsborough em 1989, onde 97 torcedores do Liverpool morreram numa multidão durante uma semifinal da Copa da Inglaterra. Um inquérito de 2016 concluiu que os torcedores foram mortos ilegalmente e que seu comportamento não teve nenhum papel — ao contrário do que alguns policiais alegaram na época. A luta de décadas das famílias expôs falhas da polícia de South Yorkshire e de outros órgãos públicos.
Ministros propuseram deixar chefes de inteligência decidir quais informações poderiam ser divulgadas em investigações envolvendo segurança nacional, o que previsivelmente gerou reação negativa das famílias de Hillsborough e de deputados trabalhistas, que argumentaram que isso livraria o Estado da culpa. O governo retirou essa emenda, mas continuou discutindo como proteger informações sensíveis preservando o espírito do projeto.
Na semana passada, o vice-primeiro-ministro e secretário da Justiça, David Lammy, disse à Câmara que estava 'confiante' de que o projeto voltaria 'nos próximos dias' — só para outras figuras do governo sugerirem que poderia não retornar até depois do recesso de verão, quando Starmer já estaria desfrutando de sua recém-conquistada liberdade do cargo. Mas eis que os trabalhos parlamentares foram atualizados para incluir as etapas restantes na Câmara na terça-feira, dando aos deputados a chance de aprová-lo antes que siga para a Câmara dos Lordes.
Se o projeto passar pela Câmara esta semana, será um grande passo para incorporar um dever legal de franqueza nas autoridades públicas. Para as famílias de Hillsborough, tem sido uma jornada marcada por meses de incerteza e contratempos — mas pelo menos elas podem finalmente conseguir uma lei que diz 'não mintam para nós' em todas as letras.
The Good Times
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