Novos casos de obesidade estão aumentando mais rapidamente em adultos jovens na Inglaterra, sugere um estudo, porque aparentemente os 20 e 30 anos são os novos 50 para o desespero metabólico.

As taxas de novos diagnósticos para pessoas na faixa dos 30 anos foram quase 20% maiores em 2024-25 do que em 2019-20, de acordo com o estudo publicado no The Lancet. Para pessoas na faixa dos 20 anos, novos casos saltaram 16%. Esses aumentos foram maiores do que em faixas etárias mais velhas - embora as idades mais comuns para diagnóstico continuem sendo os 40 e 50 anos, então os de meia-idade ainda podem reivindicar a coroa por enquanto.

Mas especialistas disseram que a tendência para diagnóstico precoce era preocupante, dado que a obesidade aumenta o risco de doenças como diabetes, doenças cardíacas e câncer. Porque nada diz "juventude adulta" como um risco elevado de tudo que seus avós têm.

Junto com a divisão por faixa etária, a equipe também identificou diferenças significativas entre diferentes grupos étnicos - o início mais precoce da obesidade era mais comum em pessoas não brancas - enquanto as áreas com maiores níveis de privação também viram aumentos mais acentuados. Esses padrões, quando se trata de obesidade, são bem estabelecidos, mas a aceleração de novos casos entre adultos jovens foi mais inesperada, disseram os pesquisadores.

O pesquisador principal, Robert Fletcher, disse que, embora o estudo não tenha investigado as causas por trás do aumento, ele sentiu que havia três fatores-chave: uma infância passada mergulhada em junk food, a pandemia e a crise do custo de vida. "Eles foram cercados por comida não saudável em seus anos de formação", disse ele, observando a proliferação de lanchonetes e anúncios de fast food. Ele também citou o estresse da parentalidade na era da pandemia e a inflação tornando a comida saudável um luxo.

Sarah Perman, da Associação de Diretores de Saúde Pública, concordou, observando que opções não saudáveis agora dominam "nossos supermercados, lojas de esquina e estabelecimentos de fast food". Pesquisa da Food Foundation descobriu que alimentos saudáveis são duas vezes mais caros por caloria do que alimentos não saudáveis, o que é um bom negócio se seu objetivo é o máximo de calorias pelo mínimo de dinheiro.

Katharine Jenner, da Obesity Health Alliance, apontou o dedo para o ambiente digital, onde faixas etárias mais jovens são mais propensas a usar aplicativos de comida e passar tempo nas redes sociais, enquanto a pandemia interrompeu a atividade física em um "momento crucial".

A equipe - da Universidade de Cambridge, do British Heart Foundation Data Science Centre e do George Institute for Global Health - analisou 55 milhões de registros de pacientes adultos do NHS. Entre aqueles com 30 a 39 anos, houve 24,1 novos casos diagnosticados por 1.000 pessoas em 2024-25, em comparação com 20,3 em 2019-20. Entre aqueles com 20 a 29 anos, houve 20,3 novos casos por 1.000, acima dos 17,5 cinco anos antes. As taxas de novos casos realmente caíram naqueles com 60-79 anos, possivelmente porque podem pagar por medicamentos para perda de peso ou já foram contabilizados.

No geral, a proporção de pessoas registradas como obesas subiu de 26,2% para 30,3% durante o período. O Prof. Sir Michael Marmot descreveu as descobertas como preocupantes e "mais evidências" do aumento das desigualdades desde a pandemia. Um porta-voz do Departamento de Saúde e Assistência Social disse que o governo estava tomando "medidas decisivas" sobre a obesidade, incluindo novas restrições à publicidade de junk food e metas para vendas de alimentos saudáveis. Acreditaremos quando virmos os anúncios de salada.