No início deste ano, as ações de empresas tradicionais de SaaS despencaram enquanto investidores entravam em pânico com a possibilidade de softwares movidos a IA torná-las obsoletas. Mas a Bending Spoons, empresa sediada em Milão que compra e revitaliza marcas de tecnologia em declínio, aparentemente não recebeu o memorando. Suas ações fecharam a US$ 40,50 na quarta-feira, quase 40% acima do preço de IPO de US$ 29, dando à empresa de 13 anos um valor de mercado de US$ 25,7 bilhões – mais que o dobro de sua última avaliação privada de US$ 11 bilhões. A oferta levantou US$ 1,68 bilhão.

A Bending Spoons ganhou reputação ao adquirir marcas envelhecidas, mas outrora populares, como AOL, Eventbrite, Evernote, Meetup e Vimeo, e depois torná-las lucrativas por meio de cortes agressivos de custos, novos recursos e aumentos de preços. Diferente de private equity, no entanto, a empresa não tem planos de vender esses negócios. E a estratégia parece estar funcionando: a receita do primeiro trimestre atingiu US$ 601 milhões, com lucro líquido de US$ 27,4 milhões – uma reviravolta acentuada em relação ao mesmo período do ano passado, quando a empresa reportou prejuízo líquido de US$ 112 milhões sobre receita de US$ 259 milhões. Assinaturas representaram 84% do negócio no ano passado.

Antes do IPO, a Baillie Gifford era a maior acionista externa, seguida por Renaissance Partners, Cox Enterprises, Durable Capital Partners, Fidelity e T. Rowe Price. Os cinco cofundadores – Luca Ferrari, Francesco Patarnello, Matteo Danieli, Luca Querella e Tomasz Greber – também devem se beneficiar generosamente. A Bending Spoons não está sozinha nessa estratégia; outras empresas como Constellation Software, Curious, Tiny, saas.group, Arising Ventures e Calm Capital também adquirem e mantêm empresas "zumbis de venture". Mas nenhuma delas tem um nome inspirado em uma cena de 'Matrix'.