A vacina contra a Meningite B, que o NHS começou a oferecer a homens que fazem sexo com homens no ano passado na esperança de também combater a gonorreia, foi considerada ineficaz para esse fim, de acordo com um grande novo estudo.

O ensaio, publicado no New England Journal of Medicine e conduzido pela Universidade de New South Wales, acompanhou 587 homens durante dois anos. Metade tomou a vacina, metade tomou placebo. O resultado? Taxas de infeção quase idênticas: 291 no grupo da vacina contra 285 no grupo do placebo. Adeus à tal redução de 38% sugerida por estudos anteriores.

No entanto, a Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido não está com pressa para mudar de rumo. A Dra. Mary Ramsay, diretora de programas de saúde pública da UKHSA, disse que mais de 30.000 pessoas em Inglaterra já iniciaram o ciclo de vacinação e que esses dados fornecerão 'evidências mais robustas' - presumivelmente do tipo que não é contradito pelo próximo grande estudo.

Os casos de gonorreia continuam em níveis recorde em comparação com há uma década. Em Inglaterra, atingiram o pico de 82.592 em 2022, caindo para 63.943 em 2025 - ainda o dobro dos níveis de 2015. Homens que fazem sexo com homens são desproporcionalmente afetados, segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças.

A Dra. Odile Harrison, da Universidade de Oxford, classificou os resultados como 'decepcionantes', mas não o fim do caminho. 'A gonorreia continua a ser uma grande ameaça global à saúde pública, particularmente com a resistência antimicrobiana', disse.

Taku Mukiwa, da Terrence Higgins Trust, foi mais direto: 'Se as evidências mudaram, a abordagem também tem de mudar.' Ele lembrou a todos que os preservativos e os testes regulares continuam a ser os verdadeiros MVPs na prevenção de ISTs.