Nepal-Tibet Pós-Inundação: Exército Cava na Lama Enquanto Desaparecidos se Aproximam de 3.000; Índia Observa Suas Geleiras com Nervosismo
Socorristas cavam na lama, a Índia observa suas geleiras nervosamente, e o Nepal conta o custo de uma inundação que varreu milhares - porque a natureza não se importa com o seu plano de cinco anos.
O governo nepalês afirma que o exército está cavando através da lama espessa que encheu um túnel de hidrelétrica onde se acredita que pessoas estejam presas. "O trabalho para abrir a entrada do túnel foi intensificado desde o início da manhã de sábado", anunciou o gabinete do primeiro-ministro no Facebook, acrescentando que 82 militares e policiais "têm trabalhado continuamente desde ontem à noite para escavar a entrada do túnel e acelerar a operação de busca". No entanto, o esforço de resgate está sendo dificultado pelo "clima persistentemente adverso" - porque, claro, é. Não está claro quantas pessoas permanecem lá dentro, embora duas tenham sido retiradas da lama ontem, com imagens dramáticas compartilhadas nas redes sociais.
Enquanto isso, a Índia decidiu ficar de olho mais de perto em suas próprias geleiras, o que é um pouco como verificar os detectores de fumaça depois que a casa pega fogo. Madan Kaushik, ministro da gestão de desastres do estado do Himalaia de Uttarakhand, disse: "Como compartilhamos uma fronteira com o Nepal, como vizinhos, e também temos uma situação geográfica semelhante... pedimos ao nosso departamento para monitorar todas as geleiras e lagos glaciais conhecidos na região". Uttarakhand, uma das regiões mais ecologicamente sensíveis da Índia, tem 1.266 lagos glaciais. À medida que as geleiras derretem, a água pode se acumular atrás de barreiras naturais; se essas falharem, grandes volumes de água podem ser liberados repentinamente, desencadeando inundações devastadoras. "Pedimos às nossas equipes que fiquem vigilantes e monitorem se uma situação semelhante está surgindo em qualquer lugar do estado", disse Kaushik à AFP.
A correspondente do Guardian no sul da Ásia, Hannah Ellis-Petersen, e o jornalista Gaurav Pokharel relatam de Bidur, Nepal, onde os esforços de resgate são coordenados. Eles conversaram com sobreviventes como Sangke Dolma Tamang, de 61 anos, que estava alegremente cozinhando petiscos em sua vila de Mailung, no distrito de Rasuwa, quando as inundações chegaram sem aviso. A família correu para uma colina, mas quando ela tentou agarrar o marido, ele escapou de suas mãos e foi levado pelas águas escuras e rápidas. "Outros tentaram puxá-lo para um lugar seguro, mas a inundação o levou", disse ela, com lágrimas escorrendo por suas bochechas envelhecidas. Ela passou uma noite abrigada em um terreno mais alto até que um helicóptero do exército a resgatou; seu filho também está desaparecido. "Agora não tenho mais nada pelo que viver", disse Tamang. "A casa inteira se foi. Não conseguimos salvar nada."
O governo do Nepal apelou por ajuda financeira enquanto enfrenta a tarefa assustadora de recuperação e se prepara para mais inundações. Comunidades inteiras foram varridas, deixando famílias desabrigadas ou em abrigos temporários. "Várias pontes foram levadas e estradas principais interrompidas, deixando algumas das comunidades mais afetadas extremamente difíceis de alcançar", diz a Cruz Vermelha. Pelo menos 18 escolas foram destruídas e outras 20 danificadas, afetando cerca de 10.000 crianças em idade escolar, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância.
O desastre ocorre pouco antes do aniversário dos protestos anticorrupção em massa de 8 a 9 de setembro do ano passado, que derrubaram o governo. O Nepal é agora liderado pelo primeiro-ministro Balendra Shah, um rapper de 36 anos transformado em político, conhecido como "Balen", que varreu as eleições de março em uma onda de euforia pedindo mudança política - embora nem mesmo um rapper possa improvisar uma saída de uma inundação glacial.
As autoridades chinesas disseram hoje que o risco de um lago formado após o colapso da geleira perto da fronteira China-Nepal estourar diminuiu, pois seu tamanho parece ter encolhido. Imagens de satélite de quinta-feira de manhã sugerem que a água no lago - que fica na fronteira na confluência de dois rios - tem fluído lentamente, diminuindo o reservatório gradualmente, informou a CCTV, emissora estatal, citando o ministério de recursos hídricos. A área superficial do lago no rio Purepu Tsangpo era de 99.000 metros quadrados esta manhã - cerca do tamanho de 14 campos de futebol - tendo encolhido 21.000 metros quadrados em comparação com quinta-feira. Especialistas alertam para um risco extremamente alto de desastres secundários no vale, especialmente do lago formado por detritos glaciais, potencialmente
The Good Times
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