Kevin Warsh foi oficialmente empossado como presidente do Federal Reserve dos EUA, herdando a delicada tarefa de conduzir a maior economia do mundo justamente quando a administração Trump está sob escrutínio pelo bem-estar financeiro dos americanos.
Escolhido a dedo por Donald Trump, Warsh agora lidera o banco central enquanto o presidente pressiona por cortes nas taxas de juros - mesmo com os preços subindo como um esquilo superambicioso. As perspectivas econômicas são ainda mais nubladas pela guerra EUA-Israel contra o Irã, adicionando uma camada de incerteza geopolítica à mistura.
Warsh, ex-governador do Fed e banqueiro de Wall Street, sucede Jerome Powell, que repetidamente alertou sobre os riscos inflacionários da agenda de Trump e se recusou a reduzir as taxas - ganhando a ira do presidente. (Powell também foi escolhido a dedo por Trump uma vez, numa deliciosa reviravolta do destino.)
"Espero que ele seja um dos maiores presidentes do Federal Reserve que já tivemos", declarou Trump em uma cerimônia na Casa Branca na sexta-feira, afirmando que "ninguém nos EUA está mais preparado" para o cargo. Warsh fez o juramento administrado pelo juiz da Suprema Corte Clarence Thomas, a quem chamou de "um amigo estimado", enquanto sua esposa Jane Lauder segurava uma Bíblia.
O novo presidente do Fed prometeu liderar um "Federal Reserve orientado para reformas", acrescentando: "A inflação pode ser menor, o crescimento mais forte, o salário real líquido mais alto, e a América pode ser mais próspera."
Mas fora da Casa Branca, os americanos estão sentindo o aperto. Com o fim de semana do Memorial Day se aproximando e os preços dos combustíveis nos níveis mais altos em anos, 68% dos americanos acreditam que Trump está priorizando sua controversa repressão à imigração em detrimento do seu bem-estar econômico, de acordo com uma nova pesquisa do Morris Predictive Insights. O preço médio nacional da gasolina atingiu US$ 4,55 por galão na sexta-feira - um aumento de US$ 1,35 em relação ao ano anterior - e a inflação atingiu uma alta de três anos de 3,8% em abril.
Trump vem travando uma batalha sem precedentes para exercer controle sobre o Fed, levantando temores sobre sua independência. "Quero que Kevin seja totalmente independente", afirmou na sexta-feira, antes de imediatamente minar esse sentimento ao dizer que o Fed "perdeu o caminho nos últimos anos".
Em uma audiência no Senado em abril, Warsh disse que manteria a independência do Fed, mas sua recusa em responder se Trump perdeu a eleição de 2020 levantou sobrancelhas entre os democratas. A senadora Elizabeth Warren o chamou de "marionete de Donald Trump" e temeu que ele priorizasse a política presidencial em detrimento das finanças familiares.
Dentro da Sala Leste, Warsh recebeu uma ovação de pé dos presentes, incluindo o juiz Brett Kavanaugh, o ex-vice-presidente Dan Quayle, a ex-secretária de Estado Condoleezza Rice, o secretário do Tesouro Scott Bessent e o diretor do Conselho Econômico Nacional Kevin Hassett. Warsh disse: "Embora não seja ingênuo sobre os desafios que enfrentamos, estes anos podem trazer prosperidade sem precedentes."
Mas as pesquisas sugerem que os americanos não estão comprando essa ideia. Uma pesquisa Gallup mostrou confiança em uma baixa de quatro anos, com 49% classificando a economia como ruim. Mesmo entre os eleitores de Trump, 36% acreditam que sua administração tem as prioridades erradas, e 16% de seus eleitores de 2024 não planejam mais votar nos republicanos nas eleições de meio de mandato - principalmente devido à economia vacilante e ao aumento dos custos.
Em suas questões emblemáticas, as taxas de desaprovação agora estão em -35% para a economia e -13% para a imigração. A maioria dos eleitores é a favor de redirecionar os gastos com a aplicação das leis de imigração para reduzir os custos com alimentos e saúde, e 56% dizem que as deportações em massa estão prejudicando a economia ao aumentar os custos para todos.