Em uma notícia que não surpreenderá absolutamente ninguém que tem prestado atenção ao Oriente Médio nas últimas décadas, o Irã anunciou que um acordo com Omã para reabrir o Estreito de Hormuz está "próximo de ser finalizado". Relatos sugerem que Teerã teria controle sobre os navios que entram no Golfo através da via navegável estratégica - um detalhe que soa menos como um compromisso e mais como uma maneira educada de dizer "agora quem manda somos nós".

Ambos os países, que ficam em extremos opostos do estreito estreito, têm participado de negociações para gerenciar conjuntamente a rota marítima chave, que está efetivamente fechada desde o início da guerra em fevereiro. O Irã insistiu que o estreito não operaria como antes do conflito, como uma via navegável internacional aberta que transportava cerca de um quinto do suprimento mundial de petróleo e gás, já que busca maior controle sobre o fluxo de tráfego marítimo pelo canal. Vários relatos da mídia, citando fontes familiarizadas com as negociações, sugerem que Omã supervisionaria o transporte marítimo de saída pelo estreito. Porque nada diz "gestão conjunta" como um país controlando o fluxo de entrada e o outro lidando com o de saída.

Mas apesar dos relatos de potencialmente uma das maiores concessões ao Irã até agora, a agência Reuters informou que fontes iranianas rejeitaram as alegações do presidente dos EUA, Donald Trump, de que um acordo para reabrir o estreito era iminente, dizendo que detalhes importantes ainda precisavam ser acordados. "A concessão já foi feita em relação a alguma forma de controle sobre Hormuz", disse uma das fontes, o que é diplomático para "ainda estamos negociando as letras miúdas".

O Irã também disse que a reabertura do estreito dependeria do levantamento do bloqueio dos portos iranianos pelos EUA. Porque, claro, por que você abriria a porta se alguém está pisando no seu pé?

Trump disse à Fox News no início desta semana que as negociações sobre o estreito estavam "avançando bem", acrescentando que o estreito "será aberto muito em breve". Enquanto isso, fontes iranianas estão dizendo, segundo relatos, "Não tão rápido, Don".

No Iêmen, enquanto isso, os houthis apoiados pelo Irã disseram ontem que atacaram dois petroleiros sauditas com mísseis balísticos, em meio ao bloqueio marítimo do grupo ao reino. Porque nada diz "estamos abertos a negociações" como lançar mísseis em petroleiros.

Dois soldados reservistas israelenses foram mortos e quatro gravemente feridos em uma explosão no sul do Líbano, disse o exército nesta manhã - as primeiras mortes israelenses desde a frágil trégua entre Israel e o grupo militante Hezbollah, apoiado pelo Irã, em junho. Um oficial militar israelense disse à Associated Press que "uma explosão foi detonada" quando os soldados entraram em um local na vila de Majdal Zoun e que a natureza do explosivo estava sob revisão. "Sob revisão" é uma maneira elegante de dizer "alguém explodiu nossos soldados, mas ainda não temos certeza de quem culpar".

Uma pessoa foi morta e 12 feridas em um ataque israelense na cidade libanesa de Tebnine, no sul, disse o ministério da saúde do Líbano. O exército israelense disse anteriormente aos moradores da vila libanesa de Mansouri, no sul, para evacuar - a primeira ordem desse tipo em mais de um mês - dizendo que era em resposta a uma violação do cessar-fogo pelo Hezbollah. Porque a melhor maneira de manter um cessar-fogo é ordenar evacuações e realizar ataques.

As escaladas vieram apesar das negociações em andamento apoiadas pelos EUA em Roma, destinadas a acabar com as hostilidades. Israel pediu que as negociações de ontem com o Líbano terminassem três horas mais cedo, disse uma fonte à AFP, dizendo que o chefe da delegação israelense culpou supostos "vazamentos enganosos" do lado libanês. Mas espera-se que as negociações sejam retomadas hoje para um terceiro e último dia. Porque nada diz "negociações produtivas" como sair mais cedo e culpar o outro lado por vazamentos.

Um porta-voz militar houthi disse que seus últimos ataques tiveram como alvo o oitavo e o nono petroleiros sauditas desde o início de seu bloqueio no mês passado. As autoridades sauditas não tiveram comentários imediatos. Provavelmente porque estavam ocupados demais contando os buracos em seus petroleiros.