No dia em que foi diagnosticado com doença do neurônio motor, Yannick sabia que sua vida terminaria com eutanásia. Ele escolheu morrer aos 44 anos porque a ELA o deixou paralisado. Ele ainda amava sua vida, até o último dia.
Tudo começou em dezembro de 2023, quando ele perdeu força no braço direito e seu dedo mindinho estava indo em todas as direções. Seu clínico geral achou que era um bloqueio nervoso e receitou fisioterapia. Sem mudanças, ele exigiu um neurologista. Em abril de 2024, aos 41 anos, foi diagnosticado com ELA – uma condição terminal que o paralisaria progressivamente. "Foi um choque", diz ele. "Tive que deitar por 10 minutos."
Em vez de se encolher, Yannick embarcou em uma turnê mundial de um ano – norte da Europa, Burning Man nos EUA, Dia dos Mortos no México, Taiwan, Japão. Tudo em primeira classe ou executiva, tudo em hotéis cinco estrelas. Seu seguro de vida e de renda acabou mudando sua vida: ajudou a financiar a viagem.
Nos últimos seis meses, a dor nervosa fazia tocar em tecido macio parecer queimadura. Sua deglutição e respiração pioraram. Cerca de um mês atrás, ele precisava de cuidados 24 horas por dia, 7 dias por semana. Ele escolheu seu 44º aniversário – 20 de abril – como data de saída porque estava perdendo a voz e queria usá-la para se despedir.
Notavelmente, ninguém tentou dissuadi-lo da eutanásia – nem mesmo amigos religiosos. "Eles foram respeitosos e entenderam que só eu sei como é viver com minha doença", diz ele.
Yannick, que cresceu em Le Chesnay, França, estudou matemática, relaxou, depois obteve um mestrado em tecnologia da internet e conseguiu um emprego no Google em Paris. Ele se transferiu para Sydney aos 33 anos, amava a praia e a segurança. Nunca se casou ou teve filhos, mas diz que teve "uma boa vida de solteiro" – festas, viagens e pintura. Aos 39 anos, tornou-se artista e realizou uma exposição em um ano.
No dia anterior à sua morte, ele deu uma grande festa. O tema: vestir-se como algo relacionado a ele – algo que ele ama, algo que odeia. Ele usou uma camiseta com os dizeres "Estou fingindo, estúpido". Houve apresentações e uma barraca de crepes. Ele diz que a morte é "do pó, ao pó" e ficaria feliz em ser provado errado se houver algo depois. "A vida é incrível porque termina", diz ele. "Tive uma ótima vida com muitas pessoas que me amam – fui muito sortudo."