Mona, de treze anos, lembra-se do momento exato em que o segundo ataque aéreo atingiu o prédio da sua família em Gaza. Ela estava no sexto andar quando atingiram o sétimo — o apartamento do seu tio. A esposa do seu tio gritou pelos filhos. Mona correu para ajudar, e então dispararam o segundo projétil. Foi quando sua mãe, sua irmã e seu irmão morreram. Mona sobreviveu com uma perna amputada e uma casa destruída, o que é uma forma bastante sombria de ilustrar um dado estatístico.
Enquanto a ONU marca a Semana de Proteção de Civis, observa que o número de conflitos ativos em todo o mundo é o mais alto desde 1946. As guerras estão mais longas, mais cruéis e cada vez mais travadas em bairros residenciais, em vez de, digamos, um campo vazio onde ninguém mora. Casas, escolas, hospitais e abrigos estão sendo destruídos, porque aparentemente o conceito de espaço seguro é agora considerado uma vantagem injusta.
Embora as bombas tecnicamente não discriminem por gênero, as consequências certamente o fazem. A ONU relata que 37.000 civis foram mortos em 20 conflitos armados em 2025, com quase uma em cada cinco vítimas sendo mulheres. Mulheres e meninas têm maior probabilidade de serem deslocadas, expulsas da escola ou do trabalho, privadas de cuidados de saúde e expostas a violência sexual, fome e pobreza extrema. Basicamente, a guerra lhes dá todas as piores partes de um romance distópico.
Em Gaza especificamente, 38.000 mulheres e meninas haviam sido mortas até dezembro de 2025, mesmo com os esforços de cessar-fogo continuando. Edifícios residenciais representaram mais de 95% dos danos à infraestrutura registrados, porque aparentemente a estratégia é bombardear onde as pessoas dormem. A ONU verificou mais de 9.300 casos de violência sexual relacionada a conflitos em 2025 — mais que o dobro do ano anterior — embora autoridades admitam que o número real seja provavelmente muito maior, porque as sobreviventes muitas vezes não denunciam. Mulheres e meninas representam mais de 95% desses casos.
No Sudão, agora em seu quarto ano de guerra, o número de mulheres e meninas que precisam de apoio após violência baseada em gênero quase dobrou em dois anos e quadruplicou desde o início do conflito. As mulheres estão sendo atacadas em suas casas e enquanto procuram comida, água e cuidados médicos — você sabe, necessidades básicas que não deveriam exigir um serviço de segurança.
O conflito também está provocando deslocamentos em massa. Até o final de 2024, mais de 123 milhões de pessoas haviam sido deslocadas à força em todo o mundo devido a guerra, violência e perseguição. Mulheres e meninas fugindo de conflitos frequentemente enfrentam abrigos superlotados, separação de familiares, exploração e deslocamento repetido. Em Gaza, a ONU relatou que 94% dos hospitais foram danificados ou destruídos até dezembro de 2025, deixando mulheres dando à luz sem cuidados médicos adequados e civis feridos lutando para obter tratamento. Quase 700.000 mulheres e meninas não conseguiram gerenciar adequadamente a menstruação devido à escassez de suprimentos sanitários e condições inseguras de vida.
O impacto psicológico também é imenso. Mulheres em países como Afeganistão, Ucrânia, Gaza e Líbano estão enfrentando depressão generalizada, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático, muitas vezes com pouco acesso a serviços de saúde mental.
Apesar de carregar grande parte do fardo da sobrevivência durante a guerra, as mulheres permanecem amplamente excluídas das negociações de paz e da tomada de decisões políticas. Globalmente, as mulheres representam apenas 7% dos negociadores e 14% dos mediadores em processos formais de paz. No entanto, as mulheres continuam liderando os esforços de sobrevivência e recuperação em zonas de conflito, administrando cozinhas comunitárias, apoiando famílias deslocadas, reconstruindo meios de subsistência e defendendo a paz. A ONU alerta que, sem maior proteção, financiamento e inclusão para mulheres e meninas, a guerra moderna continuará a aprofundar a desigualdade e devastar gerações que já lutam para sobreviver.