Num espetáculo impressionante de persistência científica, uma equipe da Penn State finalmente confirmou o que pesquisadores suspeitam desde o governo Truman: árvores brilham com eletricidade durante tempestades. O grupo, composto pelo distinto professor William Brune, o estudante de doutorado Patrick McFarland, a professora assistente de pesquisa Jena Jenkins e o ex-professor associado de pesquisa David Miller, embarcou numa viagem de carro em junho de 2024 numa Toyota Sienna 2013 modificada. Sua missão: capturar o fenômeno elusivo da descarga corona na natureza.
Por três semanas, eles perseguiram as famosas tempestades volúveis do verão da Flórida, voltando de mãos vazias. A descoberta veio não no Estado do Sol, mas durante uma parada estratégica na Universidade da Carolina do Norte em Pembroke. Lá, eles apontaram seu Sistema de Telescópio de Observação Corona personalizado para uma árvore sweetgum a cerca de 30 metros de distância durante uma tempestade de duas horas. Eles registraram 859 eventos corona naquela árvore e outros 93 num pinheiro loblolly de agulha longa próximo, cada evento durando de uma fração de segundo a vários segundos.
O fenômeno ocorre quando nuvens de tempestade desenvolvem grandes cargas negativas, atraindo cargas positivas do solo que sobem pelas árvores e se concentram nas pontas das folhas. Isso cria um campo elétrico intenso o suficiente para produzir um brilho fraco tanto na luz visível quanto na ultravioleta. Esta radiação UV pode quebrar o vapor d'água para formar hidroxila, um oxidante atmosférico chave que ajuda a limpar poluentes, incluindo metano, do ar.
Esta confirmação em campo complementa o trabalho anterior da equipe em laboratório, onde aplicaram pulsos de alta voltagem e baixa corrente em galhos e associaram emissões UV à produção de hidroxila. Eles também notaram danos menores nas folhas nos pontos de corona. O sistema telescópico, um telescópio newtoniano conectado a uma câmera sensível a UV, é especialmente calibrado para bloquear UV solar, garantindo que apenas corona, raios ou fogo o ativem.
"Isso só mostra que ainda há ciência de descoberta sendo feita", disse McFarland, autor principal do artigo publicado na Geophysical Research Letters. Ele descreveu a visão como "faixas de corona cintilante brilhando enquanto tempestades passam sobre a cabeça", um espetáculo quase invisível a olho nu, mas com implicações potenciais para qualidade do ar, processos climáticos e saúde florestal.
Agora que provaram que a teoria de 70 anos está correta, os pesquisadores passaram para as próximas questões lógicas: Esse processo brilhante prejudica as árvores? Elas se beneficiam de alguma forma? Elas evoluíram para tolerar ou até explorar isso? Para descobrir, estão se unindo a ecologistas e biólogos de árvores. O estudo foi financiado pela National Science Foundation dos EUA.