Num mês em que as manchetes têm estado praticamente a pingar de alegada violência sexual contra mulheres e raparigas - algumas envolvendo rapazes adolescentes - as famílias estão a ser gentilmente (ou nem por isso) lembradas de que talvez precisem de ter uma conversa com os seus filhos sobre consentimento e violência sexual. Sim, é desconfortável. Não, não podes simplesmente fingir que é trabalho de outra pessoa.

A investigação sugere que os pais que se sentem confiantes a discutir consentimento e violência sexual são melhores a ser claros e a responder a perguntas, e também regulam melhor as suas emoções durante essas conversas. Então, atualiza os teus factos. De acordo com os dados mais recentes do Australian Bureau of Statistics, quase 30% de todas as agressões sexuais reportadas à polícia em 2024 foram contra raparigas entre os 10 e os 17 anos, e o número de agressões sexuais registadas nacionalmente em 2024 aumentou 10% em relação a 2023. As crianças precisam de saber estes factos, e precisam de ter a certeza absoluta de que os pais as apoiarão incondicionalmente.

Conversas abertas são fundamentais. Isso significa que todos na família devem sentir-se seguros para levantar preocupações, fazer perguntas e discutir tópicos sem medo de serem calados ou repreendidos. Um bom quebra-gelo é perguntar às crianças o que leram ou ouviram sobre os recentes relatos dos media, e o que os amigos delas estão a dizer. Por exemplo: 'Houve tanta coisa nas notícias esta semana sobre [incidente]. Viste isso?'

Não transformes isto num interrogatório formal. Começa a conversa no carro, ou enquanto fazes tarefas domésticas. Sê claro sobre os teus valores - como violência contra mulheres nunca é aceitável - mas faz perguntas e deixa as crianças chegarem às suas próprias conclusões. Perguntas como 'O que ouviste sobre isto?' e 'Tens alguma pergunta?' funcionam maravilhas. Mantém o tom calmo, sem julgamentos e aberto.

Evita reforçar mensagens prejudiciais e estereótipos de género como 'rapazes são rapazes' ou mitos de violação como 'as mulheres muitas vezes mentem sobre violação' ou 'os homens precisam de sexo das mulheres'. Mesmo que o teu filho pareça concordar com estes mitos, pode estar apenas a testar a tua reação. É crucial que te ouçam rejeitá-los.

Sim, falar sobre sexo, violência e pornografia é desconfortável. Isso é normal. Não deixes que o desconforto se torne numa desculpa para evitar o tópico. Se realmente não consegues lidar com isso, encontra outro adulto responsável - um familiar ou amigo - que possa ser o teu substituto.

A investigação sugere que abordagens feministas por parte dos pais, que centram a segurança das mulheres e raparigas, bem como o apoio parental à educação escolar sobre relacionamentos saudáveis e consentimento, ajudam os esforços de prevenção da violência.

Para além do ciclo de notícias, os adultos devem regularmente ajudar as crianças a reconhecer sexismo e misoginia em situações do dia a dia. 'Piadas' prejudiciais sobre mulheres podem normalizar a misoginia que sustenta a violência. O que uma pessoa acha que é apenas uma frase parva pode soar como permissão tácita para outra. Nomeia e explica esses danos quando surgirem.

A investigação mostra que a exposição a conteúdo misógino nas redes sociais pode levar os jovens a apoiar ideias misóginas. Portanto, os pais devem discutir o papel das empresas de redes sociais na disseminação desse conteúdo e ajudar os jovens a pensar criticamente sobre o que veem nos seus feeds.

Começar conversas sobre consentimento o mais cedo possível, e tê-las com frequência, é a melhor abordagem. Para crianças mais novas, isso significa conversas adequadas à idade sobre confiar nos seus sentimentos, usar palavras anatómicas corretas para as partes do corpo, respeitar os limites dos outros e permitir que tomem decisões sobre os seus próprios corpos, como recusar afeto físico. Consentimento para crianças pequenas não é sobre sexo - é sobre abraços e partilhar brinquedos.

Lembra-te, misoginia, violência sexual e consentimento são tópicos complexos. Não tens de cobrir todos os detalhes numa única conversa. Comunicação contínua e aberta vence sempre uma conversa perfeitamente elaborada.

Stephanie Wescott é professora de humanidades e ciências sociais na Universidade Monash, e Jane Gilmore é candidata a doutoramento na Universidade Monash. Este artigo foi originalmente publicado no Co