A Johnson & Johnson anunciou na segunda-feira que pagará cerca de US$ 5,5 bilhões para resolver aproximadamente 76.000 processos alegando que seu talco para bebês e outros produtos à base de talco causaram câncer de ovário. O acordo, confirmado pelos advogados dos demandantes após uma década de batalha judicial, cobre quase todas as reivindicações remanescentes de talco contra a empresa, incluindo aquelas consolidadas no tribunal federal de Nova Jersey e casos estaduais relacionados. A Johnson & Johnson já havia resolvido a maioria dos processos de mesotelioma ligados ao amianto em seu talco.

Erik Haas, vice-presidente de litígios da empresa, descreveu as alegações como "infundadas", mas disse que o acordo permite que a empresa "deixe esse assunto para trás" e se concentre no desenvolvimento de medicamentos e dispositivos que salvam vidas. O acordo exige a aceitação de 95% dos demandantes com câncer de ovário antes de se tornar definitivo.

A Johnson & Johnson espera pagar US$ 3 bilhões em 2027, com pagamentos adicionais em 2028, mas o total pode chegar a US$ 7 bilhões ou mais, dependendo da participação, de acordo com Chris Seeger, advogado que representa cerca de 2.500 clientes. O acordo atribui valores específicos a reivindicações qualificadas sem limitar o pagamento total.

O acordo vem após uma série de vitórias judiciais para a Johnson & Johnson, incluindo uma recente decisão de um juiz federal que lançou dúvidas sobre a capacidade dos demandantes de provar que o talco causou especificamente seu câncer de ovário. A empresa parou de vender talco para bebês à base de talco nos EUA em 2020, mudando para amido de milho, mas o litígio foi retomado em março de 2025 após uma fracassada estratégia de falência "Texas two step" que viu três pedidos de falência rejeitados.

Ao contrário das propostas anteriores de falência, este acordo se aplica apenas a reivindicações existentes e exclui futuros processos, o que, segundo os demandantes, disponibilizou mais dinheiro e acelerou os pagamentos para dentro de 18 meses.