A Suécia, a terra dos móveis em kit, almôndegas e supostamente o país mais igualitário em termos de gênero na Europa, está se encaminhando para uma eleição geral com uma diferença de gênero tão grande que caberia um armazém da IKEA. De um lado, temos Magdalena Andersson, a primeira primeira-ministra mulher da Suécia, prometendo turmas menores, mais moradias e assistência odontológica gratuita para os jovens. Do outro, Jimmie Åkesson e seus Democratas Suecos, com raízes neonazistas, prometendo impostos mais baixos, segurança pública melhorada e tratar a 'anti-suecidade' como crime de ódio. Porque nada diz igualdade como um partido nascido da extrema-direita.
De acordo com uma pesquisa recente do Statistics Sweden, o dobro de homens apoiam os Democratas Suecos de extrema-direita em comparação com as mulheres, enquanto o apoio feminino aos Social Democratas é 10 pontos percentuais maior que o masculino. Se apenas as mulheres votassem, o bloco de esquerda obteria 64% dos votos. Se apenas os homens votassem, o bloco de direita obteria 51%. Tanto para a utopia neutra em termos de gênero.
Lena Wängnerud, professora de ciência política na Universidade de Gotemburgo, observa que essa deriva para a esquerda entre as mulheres e para a direita entre os homens vem acontecendo desde os anos 1970, mas os Democratas Suecos agora substituíram os Moderados de centro-direita como a principal escolha dos homens. Homens no setor privado são particularmente favoráveis a impostos mais baixos e menos imigração, enquanto as mulheres, que ainda fazem a maior parte do cuidado, dependem mais do estado de bem-estar social. Surpresa: as pessoas votam de acordo com seus interesses.
Nelly Ailo, uma assistente de farmácia de 41 anos, resume os eleitores masculinos assim: 'Primeiro é a economia - o que é melhor para eles. Eles votam sobre economia. Não 'é bom para as pessoas? É bom para as crianças?' ... Para eles, são salários altos, imposto baixo sobre a gasolina.' Ermias Balcha, 23 anos, que trabalha em moradia assistida, discorda, dizendo que as condições para desempregados e sem-teto pioraram sob o governo atual. Ele votará nos Social Democratas, mas admite que o partido poderia fazer mais para atrair os homens.
Os Social Democratas são o maior partido da Suécia, mas estão na oposição há quatro anos, depois que o bloco de direita formou um governo minoritário liderado por Ulf Kristersson, dos Moderados, e apoiado pelos Democratas Suecos. Se a coalizão de centro-direita vencer novamente, Kristersson prometeu deixar a extrema-direita entrar no governo pela primeira vez, dando a eles 'grande influência política' sobre imigração e integração. Observadores dizem que sua influência já é sentida, com até mesmo os Social Democratas de centro-esquerda adotando políticas linha-dura sobre imigração e crime.
Partidos de direita, preocupados em perder apoio feminino, tentaram mostrar 'uma direita com coração' introduzindo um desconto de 50% em transporte público por seis meses e falando muito sobre fertilidade e criação de filhos. Moska Hassas, presidente da associação juvenil dos Social Democratas, considera esses esforços 'humilhantes'. 'Eles estão tão desesperados que não sabem que as mulheres jovens também se importam com política', diz ela. Entre os jovens homens, ela vê desilusão sendo explorada por 'clubes ativos' de extrema-direita e gangues criminosas. 'É muito perigoso', alerta.
Então, no país mais igualitário em termos de gênero da Europa, a diferença de gênero na política está crescendo. Talvez igualdade signifique coisas diferentes para eleitores diferentes - ou talvez seja apenas que algumas pessoas realmente, realmente querem impostos mais baixos sobre a gasolina.