Comunidades Indígenas do Brasil Vencem a Eleição, Herdam Imediatamente um Congresso Hostil
Lula vence por 4,4 milhões de votos, líderes indígenas respiram aliviados, e o Congresso imediatamente lembra que respirar é um privilégio, não um direito.
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva como presidente do Brasil deu às comunidades indígenas uma medida de alívio — o tipo de alívio que você sente quando o meteoro erra a sua casa, mas cai no seu quintal. Seu oponente, Flávio Bolsonaro, havia feito campanha prometendo parar o reconhecimento de novos territórios indígenas e pressionar por mais mineração e desenvolvimento, uma plataforma que aparentemente teve apelo suficiente para deixar todo mundo nervoso.
"Para os Povos Indígenas, a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva é mais que uma vitória, e é maior que o Brasil", disse Edson Krenak, que é indígena Krenak. "Não se trata de vitória; trata-se da possibilidade de sonhar e de lutar sem medo da morte." O que é, admita-se, um padrão baixo para a democracia, mas aqui estamos.
O segundo turno de domingo, no entanto, também fortaleceu o movimento de Bolsonaro no Congresso, onde seu Partido Liberal conquistou o maior número de cadeiras em ambas as casas e a direita em geral obteve maioria no Senado. Líderes alertam que isso pode abrir seus territórios para mineração, enfraquecer proteções ambientais e reverter direitos territoriais — tornando consideravelmente mais difícil para Lula avançar com suas agendas indígena e ambiental. O Observatório do Clima, uma coalizão sem fins lucrativos de 172 organizações, afirma que 70% dos parlamentares eleitos se opõem à agenda climática e ambiental, segundo a Associated Press. Então, um alívio, não uma solução — mais como uma suspensão da execução com papelada.
Os riscos eram especialmente altos para os povos indígenas porque Bolsonaro fez campanha com políticas alinhadas às de seu pai, Jair Bolsonaro, cuja presidência de 2019 a 2023 viu um aumento na mineração, grilagem de terras, desmatamento e ataques aos seus direitos. O desmatamento na Amazônia atingiu um recorde em 2022, e líderes indígenas dizem que suas comunidades sofreram violência descontrolada de operações de mineração ilegal durante o mandato do Bolsonaro mais velho. Bons tempos.
O Bolsonaro mais jovem terminou mais de 2 milhões de votos à frente de Lula no primeiro turno no início deste mês, mas nenhum candidato alcançou os 50% necessários para vencer de imediato. Esse resultado gerou medo nas comunidades indígenas e entre defensores do meio ambiente, que alertaram que o futuro da Amazônia estava em jogo. Lula voltou e venceu o segundo turno de domingo por cerca de 4,4 milhões de votos, garantindo um quarto mandato não consecutivo como presidente. Democracia: é uma maratona, não um sprint, e ocasionalmente um triatlo através de um campo minado.
Em uma entrevista entre os dois turnos de votação, Toya Manchineri, coordenador-geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), disse que os povos indígenas em toda a floresta estavam profundamente preocupados com a possibilidade de uma vitória de Bolsonaro. Grande parte dos últimos três anos do governo Lula foi gasta desfazendo os danos causados pela administração Bolsonaro, disse Manchineri. "Estávamos apenas começando a ver os recursos retornando", disse ele. Ah, o doce e lento gotejar das coisas não sendo ativamente destruídas.
Em 2023, o governo estabeleceu o Ministério dos Povos Indígenas e nomeou Sônia Guajajara para liderá-lo. Lula também revitalizou a agência federal de assuntos indígenas FUNAI depois que Bolsonaro a usou para apoiar o agronegócio, apesar da resistência indígena. O governo também anunciou pouco antes da eleição que o desmatamento na Amazônia havia caído para seu nível mais baixo desde o início dos registros em 1988, segundo a AP. Progresso: não é apenas um slogan de campanha, às vezes é uma estatística.
Ainda assim, líderes indígenas dizem que o progresso feito sob Lula não resolveu conflitos mais profundos sobre terra, desenvolvimento e tomada de decisões. "A vitória de Lula impede que um presidente que prometeu parar a demarcação de terras indígenas tome posse, mas nossos territórios estão longe de estar seguros", disse Alessandra Korap Munduruku, coordenadora da Associação Indígena Munduruku Pariri, em um comunicado. "Exigimos que o governo Lula respeite nossas decisões e ouça os Povos Indígenas"
The Good Times
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