O acordo muito badalado, que será formalmente assinado na sexta-feira em Genebra, não encerra a guerra. É essencialmente uma extensão de 60 dias de um cessar-fogo — como apertar o soneca em um alarme geopolítico que o próprio Donald Trump ligou.
Quando Donald Trump lançou sua guerra contra o Irã no final de fevereiro, ele tinha objetivos ambiciosos: derrubar o regime teocrático do Irã, destruir suas capacidades militares e programa nuclear, e instigar uma revolta popular pelos iranianos. Uma semana após o início da guerra, Trump disse que só aceitaria a "rendição incondicional" do Irã. No domingo, Trump se contentou com um acordo que reabre o Estreito de Ormuz — muito longe da volta olímpica que ele inicialmente imaginou.
O presidente dos EUA comemorou ter resolvido um problema que ele mesmo criou: reabrir uma via navegável vital por onde passava mais de um quinto do suprimento mundial de petróleo todos os dias — antes do Irã efetivamente fechá-la no início da guerra, aumentando os preços da energia e perturbando a economia global. "Navios do Mundo, liguem seus motores", escreveu Trump nas redes sociais ao anunciar o mais recente acordo. "Deixem o petróleo fluir!" É o equivalente diplomático de atear fogo na própria casa, apagá-lo e depois exigir um desfile.
Mohamad Bazzi é colunista do Guardian US. Ele também é diretor do Centro de Estudos do Oriente Próximo e professor de jornalismo na Universidade de Nova York.