No final de outubro de 1980, dias antes de Ronald Reagan ser eleito presidente, o Congresso convocou 20 especialistas de diversas áreas para um hotel à beira-mar na Flórida. O mandato era simples: descobrir como lidar com a ameaça terrível representada pelas emissões de combustíveis fósseis ao clima e, em seguida, entregar suas recomendações ao Congresso na forma de uma declaração. Sim, uma declaração. Porque nada diz urgência legislativa como um memorando bem redigido.

Cada palavra dita durante quatro sessões maratônicas nas 36 horas seguintes — cada discordância ou digressão, tirada ou trégua — foi registrada por um taquígrafo para a posteridade em um único documento, com centenas de páginas, que se ergue como um artefato de uma época em que a expertise era confiada, antes que a ganância corporativa e a conveniência política atolassem o "debate" sobre os níveis crescentes de CO2 na atmosfera em uma névoa de desinformação e inação. O fato de que essa reunião aconteceu — que especialistas em clima, energia, direito, filosofia, política e mais concordaram sobre os fatos fundamentais, mas lutaram para chegar a um consenso sobre o que fazer a respeito — é fascinante, embora talvez não seja o ajuste mais natural para um filme. Afinal, era uma sala de conferências de especialistas compartilhando evidências via retroprojetor.

Agora, o The Guardian relata, essa mesma reunião é o tema de A Statement, uma excelente dramédia sobre mudanças climáticas que estreia no Festival de Cinema de Nova York. Paul Rudd, Paul Giamatti e Tatiana Maslany lideram um elenco excelente nesta dramatização de uma conferência fracassada sobre mudanças climáticas — uma frase que parece quase redundante a esta altura. O filme captura o encontro de 1980 onde 20 especialistas, armados com retroprojetores e um mandato, tentaram salvar o planeta e, em sua maioria, produziram um documento. Alerta de spoiler: o planeta não recebeu o memorando a tempo.