Claro que a vacina de câncer para cães do ChatGPT gerou uma startup
O homem que usou ChatGPT para criar uma vacina contra o câncer para seu cachorro agora tem uma startup apoiada pelo Y Combinator com o objetivo de curar tudo, porque não?
Lembra daquela história muito badalada sobre um empreendedor de tecnologia australiano que usou ChatGPT, Grok e outras ferramentas de IA para criar uma vacina personalizada contra o câncer para seu cachorro? Bem, surpresa: ele lançou uma startup.
Esse empreendedor é Paul Conyngham, que diz estar lançando a Gamgee para oferecer “vacinas personalizadas de mRNA contra o câncer para cães”. Mas suas ambições vão muito além dos cães – e dos animais de estimação – com o site da Gamgee prometendo que a empresa usará IA e genética para desenvolver tratamentos personalizados para uma série de doenças e espécies, incluindo humanos.
No centro da história de origem da Gamgee está Rosie, a mistura de Staffordshire bull terrier com Shar Pei de Conyngham, que aparece em destaque nas redes sociais de Conyngham e no site da startup, bem como em seu vídeo de lançamento em anime gerado por IA. Ao anunciar a Gamgee no X, Conyngham disse: “Usei chatgpt + genômica computacional para projetar uma vacina personalizada de mRNA contra o câncer para o tumor dela. Vários dos tumores dela diminuíram.”
Conyngham, que enfatiza no site da Gamgee que “não é biólogo”, credita essa intervenção por adicionar anos à vida de Rosie. A missão declarada da Gamgee é fazer isso em escala. Caso o elemento canino passe despercebido pelos visitantes, o site apresenta um carrossel de cães adoráveis com idades e supostos diagnósticos de câncer para lembrá-los “para quem estamos construindo isso”.
Mas, como relatado pelo The Verge no início deste ano, a ciência por trás da história de Rosie é consideravelmente mais confusa do que o relato organizado de Conyngham sugere. O papel exato da IA no empreendimento não era claro, e pesquisadores disseram que as afirmações amplas davam crédito demais à tecnologia, minimizando o papel dos humanos envolvidos. Além disso, o protocolo seguido por Rosie tornava impossível dizer se a vacina de mRNA foi responsável pela melhora dela, já que foi administrada junto com outra terapia.
Isso não impediu a ideia de atrair apoio. A startup é apoiada pelo lendário incubador de tecnologia Y Combinator e diz que está recrutando para seus primeiros ensaios clínicos na Austrália, com uma lista de espera aberta em todos os outros lugares (embora Conyngham diga que estão “aceitando casos globalmente”). Em uma seção do site voltada para veterinários, a Gamgee anuncia uma redução de aproximadamente 75% no tumor em seu “primeiro caso documentado”, prometendo exigir menos de 20 minutos do tempo do veterinário, sem novos fluxos de trabalho clínicos e uma “vacina pronta” em cerca de quatro semanas. A empresa alerta que esse prazo é baseado em um único caso e pode variar. Os custos não são divulgados no site.
A Gamgee diz que está trabalhando em colaboração com a Universidade de Queensland e institutos da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, e Conyngham incentiva potenciais financiadores ou parceiros de estudo a entrarem em contato.
Por fim, a empresa diz que sua missão se estende além dos cães e outros animais para tratamentos personalizados para humanos. Para uma startup construída em torno de um único cão cuja melhora não pode ser claramente atribuída ao tratamento que está no centro de sua proposta, essa é uma ambição grandiosa.
The Good Times
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