Um novo estudo de Jacob Haqq-Misra, do Blue Marble Space, e Eric Wolf, da Universidade do Colorado em Boulder, olhou para o futuro e concluiu que, sim, o Sol eventualmente transformará a Terra em cinzas, mas não por um pouco mais de tempo do que pensávamos. O artigo, que abre com a pergunta reconfortante “Quanto tempo a vida na Terra sobreviverá?”, usa um modelo climático 3D para refinar as estimativas de quando o aumento do brilho solar e a queda dos níveis de dióxido de carbono tornarão o planeta inabitável para a vida complexa.
O Sol está brilhando cada vez mais à medida que envelhece, e em cerca de 5 bilhões de anos se tornará uma gigante vermelha que engolirá a Terra inteira. Antes desse final ardente, porém, a vida enfrenta uma dupla ameaça: muito calor e pouco CO₂ para a fotossíntese. A ciclagem de CO₂ através do intemperismo das rochas atua como um termostato – temperaturas mais altas aceleram o intemperismo, que retira CO₂ da atmosfera, o que retarda o aquecimento. Mas esse mesmo processo pode privar as plantas do gás de que precisam para respirar.
O estudo executou dois cenários representando extremos da relação intemperismo-temperatura. No cenário de intemperismo fraco – onde os níveis de CO₂ permanecem modernos, mas as temperaturas sobem – o mundo fica cerca de 21°C (38°F) mais quente daqui a 1,5 bilhão de anos, e mais 40°C (72°F) até 2 bilhões de anos. A maioria das plantas terrestres atinge seus limites fisiológicos em 1,68 bilhão de anos, e os últimos resistentes são cozidos em 1,87 bilhão. Os oceanos fervem logo depois.
No cenário de intemperismo forte – onde a temperatura permanece constante, mas o CO₂ despenca – os níveis caem para cerca de 34 partes por milhão após 1 bilhão de anos e abaixo de 1 ppm após 2 bilhões. A maioria das plantas terrestres precisa de cerca de 150 ppm; plantas C4 podem sobreviver até 3-10 ppm, cruzando esse limite entre 1,35 e 1,64 bilhão de anos. Alguns trapaceiros como cactos e alguma vida marinha podem usar bicarbonato em vez de CO₂ dissolvido, ganhando tempo até cerca de 1,84 bilhão de anos.
A boa notícia? Essas estimativas são mais otimistas do que as anteriores, graças ao modelo 3D que mostra menos aquecimento para um Sol mais brilhante, declínio mais lento do CO₂ e uma faixa mais ampla de níveis de CO₂ suportáveis para as plantas. Modelos anteriores frequentemente colocavam a data de validade abaixo de 1 bilhão de anos. Agora temos aproximadamente 1,68 a 1,87 bilhão de anos antes da extinção das plantas terrestres, e talvez 1,84 bilhão para as resistentes.
Os pesquisadores observam que a civilização, se durar tanto, poderia tentar geoengenharia – como espalhar aerossóis na estratosfera para refletir a luz solar. Ou, mais ambiciosamente, poderíamos mover a órbita da Terra ou remover parte da massa do Sol. Temos um bilhão de anos para descobrir a logística. A evolução também pode estender o cronograma expandindo os limites fisiológicos das plantas.
Em última análise, o estudo não é sobre prever nossa desgraça; é sobre entender a janela para a vida na Terra, o que ajuda os astrônomos a saber onde procurá-la em outros lugares. As plantas terrestres existem há quase 500 milhões de anos e podem persistir por quase 1,9 bilhão a mais. Depois disso, a vida microbiana terá o planeta só para si novamente, como fez por alguns bilhões de anos antes das plantas aparecerem.