Uma equipe internacional liderada pela Universidade de Berna encontrou evidências de que uma única colisão de asteroide pode ter remodelado dramaticamente Deimos, a menor das duas luas de Marte. Combinando simulações de computador detalhadas com imagens recentes da sonda Hera da ESA, os pesquisadores concluíram que um impacto poderia explicar tanto a grande depressão sul da lua quanto sua superfície excepcionalmente lisa e empoeirada.

A pesquisa é o primeiro estudo científico a incorporar observações coletadas durante o sobrevoo de Deimos pela Hera. As descobertas também podem ajudar a orientar futuras missões, incluindo a missão Martian Moons eXploration (MMX) da Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA).

Deimos é a menor e mais distante das duas luas de Marte. Tem uma forma aproximadamente oval e uma depressão proeminente perto do seu polo sul. Sua superfície também parece notavelmente diferente da de Fobos, a outra lua de Marte.

Enquanto Fobos é fortemente marcada por crateras, Deimos parece mais lisa porque grande parte de sua superfície é coberta por poeira solta e detritos rochosos conhecidos como regolito. Naves espaciais fotografaram a lua com detalhes crescentes ao longo de várias décadas, mas os cientistas não tinham certeza do que criou a depressão sul ou a camada generalizada de detritos.

Um novo estudo liderado pela Dra. Sabina Raducan investigou se as duas características poderiam ter a mesma origem. A colaboração internacional incluiu pesquisadores do Observatoire de la Côte d'Azur, da Universidade do Arizona e da Universidade de Tóquio, entre outras instituições.

Raducan trabalhou na Divisão de Pesquisa Espacial e Ciências Planetárias (WP) do Instituto de Física da Universidade de Berna até outubro de 2025. Ela agora é Gerente de Programa de Ciência no Instituto Internacional de Ciência Espacial e Pesquisadora Sênior na Vrije Universiteit Brussel.

Usando simulações de alta resolução produzidas com o código "Bern Smoothed Particle Hydrodynamics (SPH)", a equipe descobriu que a depressão distintiva perto do polo sul foi provavelmente produzida por um único impacto de asteroide que foi poderoso, mas não forte o suficiente para destruir Deimos. De acordo com as simulações, a mesma colisão também poderia ter gerado o regolito que agora cobre grande parte da lua.

A pesquisa, publicada na Nature Astronomy, é a primeira publicação científica a usar observações coletadas quando a sonda Hera da ESA passou por Deimos. A Hera está atualmente viajando em direção ao seu destino principal, a lua do asteroide Dimorphos.

Para reconstruir o que pode ter acontecido, os cientistas usaram o código SPH de Berna, que foi desenvolvido na Universidade de Berna ao longo de aproximadamente duas décadas. O software é projetado para modelar colisões envolvendo asteroides, cometas e planetas.

Nas simulações, os objetos em colisão são representados por milhões de partículas individuais. Os pesquisadores podem ajustar fatores como gravidade, densidade e resistência do material para ver como diferentes tipos de impactos se desenrolam.

A Universidade de Berna tem extensa experiência em modelagem numérica de impactos. A mesma abordagem foi usada anteriormente para simular a colisão da sonda DART da NASA com Dimorphos.

"O código roda em um cluster de computação de alto desempenho aqui na Universidade de Berna e é um dos poucos códigos capazes de realizar esse tipo de simulação", explica a líder do estudo, Sabina Raducan, que também é copresidente do Grupo de Trabalho de Física de Impacto da Hera para a missão Hera da ESA.

Os pesquisadores testaram muitos cenários possíveis, mudando o tamanho, a velocidade e o ângulo de impacto do impactor, enquanto também variavam as suposições sobre a estrutura interna de Deimos.

"Realizamos cerca de cem simulações -- cada uma levou cerca de uma semana."

Eles então compararam os resultados com dados observacionais coletados pela sonda espacial da ESA.

A missão principal da Hera é examinar de perto o que aconteceu quando a sonda DART da NASA atingiu Dimorphos. Essas observações destinam-se a ajudar os pesquisadores a avaliar o desvio de asteroides como um método potencial para defender a Terra contra impactos de asteroides.

Em março de 2025, a Hera p