O principal oficial de direitos humanos da ONU está levantando uma sobrancelha - e possivelmente a pressão arterial - sobre o recente entusiasmo do Irã pela pena capital. Volker Türk, o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, expressou alarme na quarta-feira sobre o aumento acentuado de execuções e sentenças de morte no Irã desde que a campanha de bombardeios dos EUA e de Israel começou no final de fevereiro. Aparentemente, a pena de morte agora está servindo a um duplo propósito: punir crimes e incutir uma dose saudável de terror na população.

“Estou alarmado com o aumento de execuções e sentenças de morte emitidas no Irã desde março e que a pena capital continua a ser usada para incutir medo na população e suprimir a dissidência”, disse Türk em um comunicado, instando as autoridades iranianas a pisar no freio das execuções e talvez reconsiderar toda a questão da pena de morte.

O contexto: protestos civis generalizados começaram no final de 2025, alimentados por agitação econômica, inflação crescente e escassez - porque nada diz 'nós nos importamos' como uma repressão. A resposta do governo levou a milhares de mortes, milhares de detidos e um apagão de internet de meses, porque nada diz 'transparência' como cortar a web.

Uma missão independente de apuração de fatos da ONU no mês passado implorou ao Irã que interrompesse as execuções de 10 homens que participaram de protestos em Isfahan este ano, e condenou fortemente as execuções de 19 de julho de outros dois no mesmo caso. Mas por que ouvir a razão quando se tem uma agenda lotada?

Desde 19 de março de 2026, pelo menos 56 pessoas foram executadas sob acusações relacionadas à segurança nacional, incluindo 27 em casos ligados a protestos no início do ano. E se isso não for suficiente, mais de 100 outras correm o risco de se juntar ao clube. Enquanto isso, execuções relacionadas a drogas continuam a um ritmo alarmante - porque consistência é fundamental.

Türk também observou que confissões foram supostamente obtidas sob tortura e outros maus-tratos, com violações do devido processo, como julgamentos injustos, execuções públicas e sentenças de morte após breves audiências a portas fechadas. Algumas sentenças foram relatadamente executadas apenas semanas após as prisões. Eficiência! Em um caso particularmente rápido, 12 réus foram condenados à morte após uma única audiência a portas fechadas de três horas. Isso é o que chamamos de justiça em ritmo acelerado.

“A persistente falta de julgamento justo e garantias de devido processo é profundamente perturbadora”, disse Türk, acrescentando: “A pena de morte é incompatível com o direito à vida e irreconciliável com a dignidade humana. Tal punição não tem lugar em nosso mundo.” Mas diga isso aos carrascos, que parecem ter perdido o memorando.