Bem-vindo ao Isto É a Índia, onde os jovens não estão apenas lutando contra o establishment - eles também estão pegando no controle remoto da TV. Esta semana, mergulhamos no movimento das Baratas, um protesto que colocou a geração Z nas ruas de Délhi e a mídia mainstream em frenesi, tentando transformar gás lacrimogêneo em um 'confronto' e manifestantes em 'multidões'.
Em Jantar Mantar, o observatório do século XVIII que também serve como ponto de protesto da capital, os jovens manifestantes gritavam contra vazamentos de exames, pediam liberdade e justiça, e tinham palavras fortes para a mídia 'godi' (cachorrinho). Repórteres de veículos mainstream foram hostilizados, perseguidos ou agredidos - um sinal claro de que a desconexão entre a realidade do terreno e as telas de TV havia atingido um ponto de ebulição. Para quem assistia de casa, as redes sociais eram a única janela para o caos real, e para alguns, parecia um romance de George Orwell ganhando vida.
O movimento, que exigia a renúncia do ministro da Educação Dharmendra Pradhan por causa de um vazamento de prova, viu milhares marcharem até o parlamento em 20 de julho. A repressão policial não foi nada sutil: gás lacrimogêneo, balas de chumbinho e cassetetes. Uma jovem de 17 anos, Deeksha Mishra, descreveu sangue escorrendo pelo crânio. O movimento das Baratas estimou cerca de 150 feridos. Mas os canais de TV? Eles chamaram de 'confrontos'. A NDTV questionou se as multidões eram 'multidões mobilizadas', a Times Now os chamou de anarquistas, e a Republic TV prometeu um 'explosivo exposé' sobre a 'anarquia', até insinuando envolvimento estrangeiro. A ANI, a agência de notícias que fornece imagens para os canais, aparentemente não compartilhou uma única postagem sobre a ação policial em 20 de julho, de acordo com a Alt News.
Isso não é um caso isolado; é o resultado de 12 anos de mandato de Modi, onde o horário nobre se tornou uma extensão da agenda do partido no poder. Noite após noite, os canais atacam a oposição, ativistas, minorias e acadêmicos. O termo 'mídia godi' de Ravish Kumar virou a frase do dia.
Mas os manifestantes das Baratas inverteram o jogo com seu humor característico da geração Z. Um vídeo viral mostrou um garoto detido em um protesto em Mumbai filmando um policial ameaçando plantar drogas - enquanto ria e mostrava a língua. Outro mostrou alguém abrindo a tranca de uma van policial para libertar detidos. Depois que Pradhan renunciou, até o cineasta pró-governo Vivek Agnihotri admitiu no X que a TV perdeu a confiança, escrevendo: 'Não importa o que você faça, você não pode fabricar autenticidade.'
Ria Chopra, autora de Never Logged Out, observa que até os boomers estão se voltando para criadores independentes como Samdish Bhatia no YouTube. Ela diz que este é um 'momento de prestação de contas' para a mídia, com uma gravitação em direção a repórteres cidadãos que estão no terreno.
Em outras notícias: o uso de balas de chumbinho foi autorizado pela polícia de Délhi, segundo o Hindu; a instabilidade política pode não ser resolvida com a renúncia de Pradhan, de acordo com a Swarajya; o novo ministro da Educação, Pralhad Joshi, está sob críticas por defender a libertação de estupradores em grupo; o BJP tenta ser descolado com reels de Modi, mas a internet diz 'vergonha alheia'; e manifestantes mulheres estão sendo expostas e ameaçadas por apoiadores do BJP.
Como uma millennial que vive rolando a tela, fico feliz em relatar que o algoritmo do Instagram agora me serve conteúdo de protesto. O reel estilo TikTok de Abhinav Bisht do local do protesto ultrapassou 175 milhões de visualizações - mais que o dobro do reel fixado atual de Taylor Swift. Esse é o tipo de viralização que deixa o establishment nervoso.