O partido de extrema direita Reagrupamento Nacional (RN) da França e seus aliados conquistaram um recorde de 14 cadeiras no Senado dominado pela direita, efetivamente quadruplicando seu número na câmara de 348 assentos poucos meses antes de uma eleição presidencial. Em termos políticos, isso é o equivalente a aparecer em um jantar com um acompanhante e sair com a tábua de queijos inteira.

A candidata presidencial do RN, Marine Le Pen, chamou os resultados de "vitória histórica" após serem anunciados no domingo. "Os resultados superaram nossas expectativas", disse ela, que é o que todo mundo diz quando se saiu melhor do que esperava e quer garantir que você saiba disso.

Foi a primeira vez que o partido ultrapassou o limite de 10 assentos para poder formar uma bancada no Senado. Para quem está acompanhando o placar em casa: isso é uma bancada, não um país. Ainda.

Autoridades locais eleitas votam para novos senadores para metade da câmara alta a cada três anos, cada um para cumprir um mandato de seis anos. Um sistema tão bizantino que faz o Colégio Eleitoral parecer um simples joinha para cima ou para baixo.

O partido de extrema direita entrou no Senado pela primeira vez com duas cadeiras em 2014, quando era conhecido como Frente Nacional, e conquistou três cadeiras em 2023. Então sim, eles vêm praticando.

Le Pen está considerando sua melhor chance até agora de chegar ao poder nas eleições marcadas para um primeiro turno em abril do próximo ano, quando o presidente centrista Emmanuel Macron deixar o cargo. "Esta é uma vitória histórica, e um marco importante com a formação pela primeira vez de um grupo no Senado", disse ela no X, porque onde mais você anunciaria um marco nos dias de hoje?

Nove senadores do RN foram eleitos no domingo, segundo uma contagem da AFP dos resultados, além dos três que conquistaram cadeiras em 2023. Outros dois foram eleitos pelo partido União da Direita pela República (UDR), aliado do RN, de Eric Ciotti. Porque nada diz "independência política" como formar um grupo com seus amigos.

O presidente do RN, Jordan Bardella, disse que os senadores do partido formarão um grupo com os aliados da UDR. Ciotti deixou o partido de direita Republicanos (LR) em 2024 após pedir uma aliança com a extrema direita. Na política francesa, isso é o que se chama de "movimento de carreira".

O presidente do LR na câmara alta há mais de uma década, Gerard Larcher, 77 anos, deve ser reeleito na próxima semana. A essa altura, ele é basicamente mobília - mobília francesa muito poderosa, muito francesa.

A direita, o centro e os socialistas de esquerda pareciam destinados a permanecer como as três principais forças na câmara alta, segundo resultados iniciais. O partido de extrema esquerda França Insubmissa conquistou uma cadeira pela primeira vez. Então o Senado continua sendo um lugar onde todos ganham um pouco, como uma lembrancinha de festa política.

O partido anti-imigração de Le Pen emergiu como o maior partido individual na Assembleia Nacional, a câmara baixa, após Macron convocar eleições antecipadas em 2024, embora tenha ficado bem aquém da maioria. Em outras palavras, eles são grandes, mas não do tamanho de "aprovar o orçamento".