Camille levou 15 anos para fazer seu novo álbum, *The Sound of Milk* — um disco triplo documentando cada etapa da criação de seus dois filhos com o compositor Clément Ducol. *Naissance* (2015) é uma gravação de campo de gorgolejos de bebês e sons encontrados, sem instrumentos reais. *Enfance* (2020) é um "musical de bolso" cheio de cançonetas parentais sobre escadas e máquinas de lavar. *Adolescence* (2025) é um álbum pop totalmente produzido que aborda colapso ecológico e vício em telas. Camille diz que poderia ter lançado cada parte antes, mas não estava pronta: "Precisava ser capaz de recuar e olhar para a jornada. Precisava me sentir firme o suficiente para lançá-lo em um mundo que não respeita crianças e mães."

Camille, agora com 48 anos, é conhecida pela experimentação vocal — beatbox, sons de framboesa e o que ela já chamou de "sintetizador de peido labial" — e seu catálogo inclui músicas sobre como o esperma se transforma em leite, além de trabalho vencedor do Oscar por *Emilia Pérez*. Ela teve que lutar contra sua gravadora para lançar *The Sound of Milk* como está. "Essas músicas são consideradas coisas de mãe: 'Isso deveria ficar em sua casa. Faça músicas próprias, músicas de rádio, no estúdio.' Mas estas são músicas. Esta é minha vida, e a maternidade é o que faz o mundo girar." O álbum é dedicado à alegria diante da escuridão, contrariando sua própria natureza de "pessoa sombria". "Para combater a depressão, você precisa de alegria. Parece muito redundante, mas foi por isso que escolhi cantar."

Camille também critica o apelo do presidente Macron em 2024 por "le réarmement démographique" — literalmente rearmar a população para combater as baixas taxas de natalidade. "Você pode sentir que está fazendo soldados para o mundo", diz ela. "As mães dão à luz e depois são solicitadas a serem eficientes no dia seguinte, mês ou três meses depois." O álbum defende "tempo, alegria, o que acontece quando você tem tempo com seus filhos". Ela deixou de fora as partes difíceis da parentalidade intencionalmente. "Hoje, a alegria se tornou um tabu. É irritante. É como a ecologia — ah, isso é um luxo. Vamos lá, pessoal, vamos rearmar a população e falar sobre guerras e problemas reais."

Seus adolescentes adoram o disco. "Para o show de fim de ano, meu filho me convidou para cantar as músicas com os amigos dele. E ele vai fazer 16 anos — então acho muito doce." Esta será a primeira turnê que sua família não acompanha, forçando-a a "criar uma família com minha banda e o público". O álbum, diz ela, é sobre "essa vertigem, esse deslumbramento com o milagre da vida". E também sobre se preparar para os filhos partirem. "É tão bom cuidar de quem você ama, tira você do seu mundo egocêntrico, mas então você pensa: quem sou eu? Como posso me sentir bem apenas comigo mesma para que eles se sintam mais livres para se tornarem adultos? É um grande chute no traseiro!"