Donald Trump anunciou que os EUA vão tomar o controle da infraestrutura de petróleo e gás do Irã e lançar mais ataques na noite de quinta-feira, porque aparentemente um cessar-fogo nominal é apenas uma sugestão. Em uma postagem no Truth Social, Trump declarou que os EUA atingiriam o Irã “MUITO FORTE, ESTA NOITE”, alegando que a maior parte da capacidade ofensiva iraniana já era escombros. Ele também sugeriu a ideia de tomar a Ilha de Kharg, que lida com cerca de 90% das exportações de petróleo do Irã, porque por que não adicionar um roubo de ilha à agenda da noite?
Trump escreveu: “Em algum momento num futuro não muito distante, estaremos tomando a Ilha de Kharg e outros pontos de infraestrutura petrolífera, e assumiremos o controle total de seus mercados de petróleo e gás, assim como fizemos com a Venezuela, que está funcionando brilhantemente tanto para a Venezuela quanto para os Estados Unidos da América.” Ele depois recuou um pouco na Fox News, admitindo que não sabia se “a América tem estômago para isso” e que preferiria não atingir pontes e usinas de energia iranianas, apesar de ter ameaçado fazer isso antes. Analistas notam que tomar Kharg exigiria tropas no terreno, expondo soldados americanos a ataques iranianos – um detalhe inconveniente.
A resposta do Irã veio de Ebrahim Azizi, chefe da comissão de segurança nacional do parlamento, que alertou que Trump receberia uma “resposta mais forte e mais dolorosa” se fizesse qualquer movimento “não calculado”. Os dois países trocaram ataques por dois dias consecutivos, desencadeados pela queda de um helicóptero americano sobre o Estreito de Ormuz. O cessar-fogo, estabelecido no início de abril, foi minado por ataques retaliatórios esporádicos, com cada lado acusando o outro de violar a trégua temporária.
Trump disse que a ofensiva de quinta-feira foi motivada pelo fato de o Irã estar atrasando as negociações para transformar o cessar-fogo temporário em uma paz permanente. Os ataques mais intensos até agora atingiram o que os EUA descreveram como “capacidades de vigilância militar, sistemas de comunicação e locais de defesa aérea em todo o Irã”. Os militares americanos também afirmaram ter atingido um petroleiro perto do Estreito de Ormuz que tentava violar um bloqueio, disparando mísseis Hellfire contra a embarcação. Um oficial indiano disse que um ataque dos EUA matou três tripulantes indianos em um navio, embora não esteja claro se foi o mesmo.
O Irã lançou mísseis e drones contra Kuwait, Bahrein e Jordânia na quinta-feira, como havia feito na manhã anterior. O Ministério do Interior do Bahrein relatou uma menina de 11 anos ferida, com casas e veículos danificados por destroços caídos de interceptações. Apesar dos fogos de artifício, autoridades iranianas disseram à Reuters que as conversas sobre um acordo preliminar se intensificaram, com ambos os lados trocando mensagens sobre um memorando de entendimento. Obstáculos significativos permanecem, incluindo como descongelar bilhões de dólares em ativos iranianos.
“Esta guerra, do ponto de vista militar, é um beco sem saída”, disse uma fonte iraniana à Reuters. “Os americanos não conseguiram atingir seus objetivos atacando o Irã. Houve progresso nas negociações.” O mecanismo para liberar fundos iranianos congelados é um ponto de discórdia: o Irã quer que o dinheiro seja liberado de uma só vez diretamente para Teerã, enquanto os EUA preferem uma abordagem gradual focada em bens humanitários. Descongelar os fundos e criar alívio econômico mais amplo é a prioridade, não um acordo abrangente.
Outras questões não resolvidas incluem o conflito no Líbano, que o Irã insiste que deve fazer parte de qualquer estrutura de cessar-fogo. Ataques israelenses lá já mataram mais de 3.600 pessoas, enquanto ataques do Hezbollah mataram pelo menos 30 soldados e civis israelenses. Trump quer que o Irã acabe com as restrições ao transporte através do Estreito de Ormuz e garanta que não desenvolverá uma arma nuclear – algo que Teerã há muito nega buscar. O Irã apertou o controle sobre o estreito após os ataques de quarta-feira, alertando os navios para terem paciência. O estreito lida com cerca de 20% do suprimento mundial de petróleo, e seu fechamento fez os preços de energia e a inflação dispararem. Os militares dos EUA negaram que o estreito estivesse fechado ou que seus navios fossem atacados, insistindo que as embarcações ainda estavam passando.
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