A ilha de Flores, na Indonésia, está atualmente a acolher um sono ao ar livre não planeado, e ninguém está entusiasmado com isso. Depois de um terramoto de magnitude 7,7 ter atingido no sábado, milhares de sobreviventes estão a acampar sob as estrelas, não por diversão, mas porque estão aterrorizados com a possibilidade de as réplicas transformarem as suas casas em panquecas. O sismo, que ocorreu a uma profundidade de apenas 15 km, matou pelo menos 53 pessoas e deslocou cerca de 5.000, tornando-se o mais mortal do país desde a tragédia de Java Ocidental em 2022.
Na cidade de Ruteng, o oficial de relações públicas do hospital regional, Rista Mari, está a jogar um jogo de espera que já está a ficar velho: 'Ouvimos dizer que a assistência médica seria fornecida, mas ainda não chegou nada.' A sala de operações, a sala de partos, a farmácia e o laboratório do hospital estão todos fora de serviço depois de o telhado ter desabado, por isso montaram tendas de emergência entre os escombros. Porque nada diz 'cuidados médicos' como uma tenda nos destroços de um edifício em colapso.
Em Labuan Bajo, a porta de entrada para o Parque Nacional de Komodo e um dos principais pontos turísticos, os sobreviventes também estão a dormir ao ar livre, preocupados que os tremores os possam esmagar durante o sono. Uma agricultora, Anastasia Imad, disse à BBC de uma tenda ao lado da sua casa danificada: 'O abanão foi muito assustador. A minha casa quase desabou. Estávamos preocupados que as réplicas fizessem a casa desabar enquanto dormíamos.' Sensato, realmente.
Herry Kabut, editor da publicação local Floresa Media, descreve um cenário de caos: apagões, deslizamentos de terra, estradas bloqueadas, e todos a montar os seus próprios postos de evacuação. 'As pessoas não fazem ideia para onde evacuar. Não houve aconselhamento do governo. Muitos fugiram para as colinas e estão a passar fome.' Porque quando o conselho do governo é 'desenrasquem-se', mais vale ir para as colinas.
Os serviços de saúde em toda a ilha foram forçados a sair para o exterior, mas a ajuda não está exatamente a chegar a correr. No distrito de Ngada, o residente Charles Abar relata que, até domingo à noite, nenhuma assistência médica tinha chegado. Ele acha que a resposta do governo tem sido um pouco lenta, embora reconheça que estão a lutar com restrições orçamentais e fornecimentos limitados. Ah, o clássico 'gostávamos de ajudar, mas estamos falidos'.
Entretanto, aldeias estão isoladas, e as réplicas continuam a abalar a ilha, aumentando o trauma. Mas há uma réstia de boas notícias: os socorristas chegaram à aldeia de Nitung, na ilha de Palue, que estava isolada há quase dois dias. Fizeram a viagem apesar de uma estrada propensa a deslizamentos que o vice-comissário da polícia, Marselus Yugo Amboro, classificou de 'ameaçadora para a vida'. Centenas de casas ficaram gravemente danificadas, e os residentes estavam a abrigar-se em abrigos improvisados sem eletricidade nem comunicações. Não tinham recebido ajuda porque, bem, estavam isolados.
A Indonésia situa-se no ponto de encontro de três grandes placas tectónicas, por isso os terramotos são uma ocorrência regular. Mas isso não torna as coisas mais fáceis quando o chão treme e os camiões de ajuda não conseguem passar. A comunidade continua traumatizada e, sinceramente, quem os pode culpar? Estão a dormir ao ar livre, à espera de ajuda que está a fazer o caminho mais longo.
Reportagem adicional de Eliazar Robert no distrito de Sikka, em East Nusa Tenggara.