Skepta, o autoproclamado rei do grime, voltou com um novo álbum, The Fork and Knife, que sai na próxima semana - meros 33 meses depois de ter sido anunciado pela primeira vez. Em entrevista ao The Guardian Europe, a lenda do grime explicou que o atraso se deveu ao facto de o álbum o estar a "irritar", mas agora acredita que "realmente fez algo aqui que é o que as pessoas querem de mim". O conteúdo socialmente consciente foi moldado por skinheads, paternidade e história do rap, embora não necessariamente por esta ordem.

"Não posso ser perfeito", disse Skepta, puxando um gorro preto da Arc'tyrex sobre a testa franzida com as duas mãos. "Mas posso ser consciente." O autoproclamado rei do grime sempre foi uma pessoa séria, desconfiado de tolos e perdedores de tempo. A concentração é importante para ele, talvez porque esteja frequentemente a fazer várias coisas ao mesmo tempo: equilibrando a sua carreira musical, a sua marca de moda Mains, a realização de filmes e a representação (a sua curta-metragem de estreia, Tribal Mark, saiu em 2024), o seu festival Big Smoke e um projeto de house music, Más Tiempo. Coordena tudo a partir do estúdio desleixado mas funcional no West End de Londres, onde a entrevista tem lugar. A certa altura, pega num cubo mágico da mesa de centro desarrumada e, ao longo de cinco minutos de conversa, resolve-o - um feito que provavelmente diz mais sobre a sua concentração do que qualquer comunicado de imprensa poderia.

Skepta também expressou a sua raiva contra a direita racista, afirmando que "a ignorância em relação à imigração é horrível. Não é britânico." Os temas socialmente conscientes do álbum, incluindo a sua perspetiva sobre imigração e racismo, são evidentemente uma parte central de The Fork and Knife, que chega após uma espera que testou a paciência dos fãs. Mas se alguém pode transformar um atraso de 33 meses numa declaração sobre consciência e resolução de puzzles, é o homem que usa Arc'tyrex enquanto o faz.